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26 - Doutor, estou em suas mãos!

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Doutor, estou em suas mãos!

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anam­ne­se e o exame físico, componentes essenciais do método clínico, completam-se de maneira perfeita, não havendo vantagem de se fazer uma separação rígida entre um e outro. Muitas vezes, informações obtidas na história do paciente, fundamentais para o diagnóstico, só são incluí­das em nosso raciocínio durante o exame físico. A propósito, cumpre ressaltar que uma das características mais importantes do exame clínico é sua flexibilidade. No entanto, é considerado seu lado mais frágil por aqueles que pouco o conhecem ou não entendem todas as possibilidades deste método.

Flexibilidade é, exatamente, a característica que possibilita adaptá-lo a qualquer situação em que for aplicado. Por isso, pode-se até dizer que o método clínico não tem limites precisos: ele serve às ciên­ cias biológicas, às ciên­cias humanas e às ciên­cias sociais. É o único método com o qual se consegue investigar todos os meandros do processo saú­de-doen­ça, entre os quais se situa o componente psicológico do exame físico.

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6 - Por que o exame clínico é insubstituível?

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Por que o exame clínico

é insubs­ti­tuí­vel?

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exame clínico é insubs­ti­tuí­vel na prática médica! Sempre que posso, falo e escrevo sobre isso. Ao longo de mais de 50 anos de convívio com pacientes, procurando exercer uma medicina de alta qualidade, aprendi que o exame clínico é insubs­ti­tuí­vel em três situações: (1) para formular hipóteses diagnósticas; (2) para estabelecer uma boa relação médico-paciente; (3) para tomar decisões, sejam diagnóstica, terapêutica ou prognóstica.

Você poderá indagar: os exames complementares, muito mais objetivos e precisos, não estão substituindo o exame clínico? Respondo: sim, estão e com graves prejuí­zos para a qualidade da medicina.

Não se pode negar que determinados achados laboratoriais ou de imagens também levantam hipóteses diagnósticas, mas não é este o principal objetivo dos exames complementares. O objetivo dos exames complementares é a comprovação do diagnóstico, aspecto inquestionável da medicina moderna.

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17 - Para ser médico, sê inteiro!

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Para ser médico, sê inteiro!

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ão sei qual é seu interesse por poesia, mas como os poe­

tas falam uma linguagem simbólica que nasce no inconsciente, acre­ dito que eles conseguem expressar melhor nossos anseios e desejos mais recônditos.

Fernando Pessoa, poeta universal, deixou versos que são verda­ deiros autos de fé, como estes:

JJ

"Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui

Sê todo em cada coisa

Põe quanto és

No mínimo que fazes

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive."

Inspirado nesses versos, fiquei meditando sobre ser médico e vi neles uma mensagem perfeita, que eu reinterpretei como descrito a seguir.

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JJ

“Para ser médico, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui

(Nem o consciente, nem inconsciente

Nem o racional, nem o emocional)

Sê todo em cada caso

Põe quanto és

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29 - Não sei mais quem é meu médico!

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Não sei mais quem

é meu médico!

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ou abordar uma situação que tem se tornado cada vez mais

frequente na prática médica com a subdivisão da medicina em especialidades e subespecialidades, que são indispensáveis, mas que causam conse­quências desastrosas para as quais precisamos buscar soluções.

Quando um paciente é atendido por vários médicos, ele não forma vínculos com nenhum deles, e expressa isto dizendo: “Não sei mais qual é o meu médico!”. Este desabafo, que ouvi inúmeras vezes, traz implícita a frustração do paciente de não ter um médico com o qual possa estabelecer laços emocionais, expressos na afirmativa “meu médico”, quando vai se referir ao profissional que cuida dele, em quem confia e é sua referência nos seus problemas de saú­de.

Por isso, não é exagero dizer que, quando um paciente tem um

médico, ele tem médico, quando ele é atendido por dois médicos, ele tem meio médico e quando são muitos os médicos que tratam dele, acaba não tendo nenhum médico.

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15 - O que é ser um médico moderno?

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O que é ser um médico moderno?

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ou iniciar esta carta com duas perguntas. A primeira: Você tem

consciên­cia de que a medicina é um conjunto de tradições, conhecimentos e técnicas que vêm se acumu­lando há mais de 2.000 anos? A segunda: O que é ser moderno em uma profissão tão antiga?

A medicina de hoje é fruto da evolução da humanidade, ou seja, não é apenas o resultado da descoberta dos mi­cror­ga­nis­mos ou da invenção das máquinas que produzem imagens. Abrange tudo o que foi acontecendo com o ser humano, incluindo uma infinidade de coisas que foram criadas ao longo dos ­séculos – suas inven­

ções, suas relações com o meio ambiente e o contexto cultural.

Por incrível que pareça, nossa mente consegue, apoiando-se em elementos lógicos e intuitivos, utilizar todo este saber para aplicá-lo no alívio ou na cura do paciente que temos à nossa frente. Não tenha dúvida: nenhuma máquina jamais será capaz de fazer isso.

Ser moderno, portanto, não é ter informações recentes ou dominar a última invenção técnica.

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12 - O curso de medicina como fonte de ansiedade

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O curso de medicina como fonte de ansiedade

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ste é um tema delicado, mas é necessário abordá-lo: o curso de medicina pode ser fonte de ansiedade? Ao que eu saiba, quem primeiro levantou a questão do curso de medicina como gerador de tensões e ansiedades foi o educador George Miller, autor do famoso livro Pedagogia Médica, cuja 1a edição em português foi publicada em 1967 e teve grande in­fluên­cia na formação de professores de medicina daquela época.

Miller1 salientava que, em princípio, cada estudante reagia a essas tensões de acordo com sua maturidade emocional. Mas, diversos fatores participavam da maneira de reagir.

É importante que se saiba, desde logo, que muitas dessas tensões são inevitáveis e boa parte delas se dissipam naturalmente sem maiores conse­quências à medida que avança no curso.

Miller, GE. Ensino e Aprendizagem nas Escolas Médicas. Cia. Ed. Nacional, 1967.

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45 - “Remédio só é bom ‘prá gente’ quando a gente pode comprar ele!”

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“Remédio só é bom ‘prá gente’ quando a gente pode comprar ele!”

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onhecer o paciente, e não apenas identificar a doen­ça, é

fundamental para exercer uma medicina de excelência, jamais esquecendo que as doen­ças podem ser semelhantes, mas os pacientes nunca são exatamente iguais.

Os componentes da identificação – nome, idade, sexo, cor, naturalidade, residência, tipo de trabalho – tornam possível traçar o perfil demográfico que deve ser completado pelos aspectos psicossociais, culturais e econômicos. É impossível fazer um bom planejamento terapêutico sem estes dados. Podemos tomar como exemplo os aspectos econômicos do paciente. Aliá­s, é bom que se saiba que o nível de adesão a um tratamento farmacológico está diretamente relacionado com a capacidade econômica do paciente. A seguir apresento um exemplo.

Certa ocasião, quando supervisionava os residentes de cardiologia do Hospital das Clínicas tive oportunidade de presenciar o seguinte fato: um residente, já em seu segundo ano de especialização, atendeu

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63 - Os médicos, os advogados e os engenheiros como pacientes

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Os médicos, os advogados e os engenheiros como pacientes

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livro O Médico como Paciente,1 de Alexandrina Maria

Augusta da Silva Meleiro, publicado pela Lemos Editorial, em 2001,

é o resultado de uma tese de doutorado defendida na Universidade de São Paulo.

Como é habitual em teses da ­área médica, o livro de Meleiro baseia-se em rigorosas análises estatísticas de 183  pacientes de nível universitário internados no INCOR (Instituto do Coração da

Universidade de São Paulo) no perío­do de primeiro de novembro de

1994 a 30 de junho de 1995, sendo 72 advogados, 53 médicos e 58 engenheiros.

O livro é um rico manancial de informações sobre o processo saú­dedoen­ça, abordando pacientes, familiares, fatores de risco e outras questões. O denominador comum é a doen­ça arterial coronariana, em suas várias formas de apresentação clínica.

Meleiro, AMAS. O Médico como Paciente. Lemos Editorial, 2001.

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52 - Uma escolha para a vida

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Uma escolha para a vida

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as Cartas para um Jovem Médico escritas por Adib Jatene, cujo subtítulo é Uma Escolha para a Vida,1 encontram-se preciosas informações e ótimas lições.

O Dr. Adib Jatene, embora seja um especialista na vanguarda da cardiologia, demonstra especial interesse pelos cuidados primários quando destaca que:

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“Se o primeiro atendimento fosse bem feito – e isso é parte essencial da atenção primária – tudo o que vier depois vai dar certo.

Infelizmente, o que vemos é o contrário: solicitação de um sem número de exames complementares para consertar o que começou errado, gerando gastos desnecessários e excessivos, o que culmina na insatisfação dos pacientes e médicos.”

Em mais de 50 anos de profícuo exercício da medicina, realizou milhares de cirurgias cardía­cas, contribuindo, inclusive, com técnicas

Jatene, A. Nas Cartas para um Jovem Médico. Uma Escolha para a Vida. Editora Elsevier,

2007.

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37 - O médico, o computador e o paciente

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O médico, o computador e o paciente

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uando se diz que a medicina é uma arte e uma ciên­cia,

não se está fazendo uma afirmativa gratuita, uma frase de efeito, tampouco uma manifestação saudosista, daquelas que começam assim:

Ah! antigamente, quando não existiam tantas máquinas e aparelhos, os médicos exerciam a verdadeira arte clínica... Não é por aí­!

Vamos analisar melhor esta questão, sem saudosismo nem fantasias. Primeiro, deve ficar claro que não há por que lamentar a crescente presença dos recursos técnicos no campo da medicina. Aliá­s, a meu ver, quanto mais precisos e mais sensíveis forem os aparelhos e as máquinas, melhor para todos, médicos e pacientes, desde que – este é o segredo – se saiba reconhecer claramente suas possibilidades e suas limitações.

Nos últimos anos, com o rápido progresso da informática, uma parte dos médicos pensou que a memória de um computador, alimentada com todas as informações contidas nos tratados de medicina e ­áreas afins, seria capaz de fazer diagnósticos rápidos e per-

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34 - O grande desafio: conciliar o método clínico com a tecnologia médica

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O grande desafio: conciliar o método clínico com a tecnologia médica

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grande desafio que temos diante de nós é a conciliação entre o método clínico e a tecnologia médica. Compreender que um não substitui o outro e que não há conflito entre ambos é o primeiro passo para aprender e exercer uma medicina de excelência. Dito de outra maneira: o grande desafio é saber reunir, no mesmo ato, o lado técnico da medicina e nossa condição humana. Disse “nossa” porque tanto o paciente como o médico não podem se esquecer de que, antes de tudo, somos humanos, eventualmente travestidos de doente

– o paciente – e de profissional – o médico ou o aprendiz de médico, no caso do estudante de medicina – que cuida dele.

Não podemos esquecer que a medicina não é simplesmente um conjunto de técnicas e informações, mas o resultado de tradições e conhecimentos que abrangem o ser humano como um todo, incluindo suas relações com o contexto cultural e o meio ambiente. Talvez uma maneira de fixar esta verdade seja memorizar o seguinte axioma: ningué­m nasce, ningué­m vive, ningué­m adoece, ningué­m morre da mesma maneira em todos os lugares.

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59 - O pequeno médico

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O pequeno médico

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livro O Pequeno Médico,1 de Graziela Gilioli, é o relato sobre o perío­do de sofrimento e angústia que viveu a mãe de Alexandre, um garoto de 12 anos que teve sua vida precocemente interrompida por um câncer da suprarrenal. Este livro é uma preciosidade.

Graziela Gilioli, a partir de experiência vivida como mãe, nos faz compartilhar momentos plenos de emoção ao acompanhar, durante

2  anos, o que aconteceu no “mundo das doen­ças”, para utilizar a expressão de Susan Sontag, no qual seu filho passa a habitar, convivendo com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas.

O título do livro – O Pequeno Médico – justifica-se plenamente, pela maneira como o “pequeno doente” encarou fatos e pessoas com os quais entrou em contato em consultórios, quartos de hospitais, salas cirúrgicas, UTIs, salas de espera. Seus comentários e observações mostram uma serenidade que só pode ser a expressão de uma

Gilioli, G. O Pequeno Médico. Clio Editora, 2007.

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7 - Afinal, o que é olho clínico?

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Afinal, o que é olho clínico?

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or certo, vez por outra ainda ouve-se falar em olho clínico.

Mas, afinal, o que é isso? É uma antiga expressão aplicada àqueles médicos que tinham a capacidade de identificar, rapidamente, uma doen­ça, mesmo não dispondo de bons recursos para se chegar a um diagnóstico. Esta época já passou, porém, a expressão “olho clínico” pode permanecer, só que precisa ser redefinida.

Então, o que seria “olho clínico”? Um complexo processo cognitivo que tem início quando nos deparamos com um paciente. Se tivermos, de fato, interesse em fazer um diagnóstico correto, ou seja, quando queremos saber o que está ocorrendo com aquela pessoa, entra em alerta máximo todos os nossos sentidos, ao mesmo tempo em que se utiliza, consciente ou inconscientemente, a base de dados que já temos armazenados em nossa mente. Em outras palavras: o que se chama “olho clínico” não passa de um processamento de dados pelo nosso cérebro, só que de modo extremamente rápido, mobilizando conhecimentos em nível inconsciente e experiências anteriores. Mal comparando, é como se o cérebro fosse um computador com vários

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4 - Legislação de Segurança e Saúde no Trabalho

CHIRMICI, Anderson; OLIVEIRA, Eduardo Augusto Rocha de Grupo Gen PDF

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Legislação de

Segurança e Saúde no Trabalho

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68  Introdução à Segurança e Saúde no Trabalho

Visão geral das normas regulamentadoras

As Normas Regulamentadoras (NR) são as normas mais conhecidas e utilizadas pela área de segurança e saúde no trabalho. São obrigatórias para empresas públicas e privadas, para órgãos públicos da administração direta e indireta, para órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, e para todas as empresas que tenham empregados regidos pela Consolidação das Leis do

Trabalho (CLT). O não cumprimento dessas regulamentações pode acarretar a aplicação de penalidades previstas na legislação, como multas, embargo e interdição.

Essas normas surgiram inicialmente com a Lei no 6.514, de 1977, que definiu o texto dos artigos 154 a 201 da CLT relacionados com segurança e saúde no trabalho. O artigo no 200 da CLT diz que é de responsabilidade do

Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estabelecer as disposições complementares às normas relativas a segurança e medicina do trabalho. Com isso, em junho de 1978, o MTE aprovou a portaria no 3.214, que regulamentou as NRs específicas na área.

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14 - Tornar-se médico

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Tornar-se médico

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ocê tem consciên­cia do que é tornar-se médico? Com fre­ quência faço esta pergunta aos meus alunos. Vou tentar respon­ dê-la.

Não pense que é no momento em que recebe o diploma na festa de formatura, nem quando o registra no Conselho Regional de Medicina.

A colação de grau é apenas um ato administrativo e um momento solene que significa que você concluiu o curso de medicina. No entanto, não é ali, em um passe de mágica, que ocorre a transforma­

ção do “estudante de medicina” em “médico”. Na festa de formatura você vai vivenciar com seus familiares as alegrias de concluir uma difí­ cil e inesquecível etapa de sua vida, que são os 6 anos em uma escola de medicina, enquanto no Conselho Regional de Medicina você vai adquirir o direito legal de exercer a profissão médica. Contudo, não

é em nenhum desses momentos, que você vai tornar-se um médico de verdade. Quando será, então? Tornar-se médico é um processo complexo que talvez tenha iniciado quando você decidiu estudar medicina, ou até antes. Não importam as in­fluên­cias que o levaram

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