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13 - Para que serve o laboratório de habilidades clínicas?

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Para que serve o laboratório de habilidades clínicas?

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aprendizado da semiologia, ou seja, o domínio do método

clínico, pode ser obtido por meio de diversas técnicas didáticas e em vários cenários. A maneira tradicional, que veio desde a criação das primeiras escolas médicas do Brasil, em 1808, herdada da medicina europeia, principalmente a francesa, é um curso teó­rico abrangendo os principais temas, acompanhados de atividades práticas em hospitais universitários. Não resta dúvida de que foi uma maneira eficiente, pois, possibilitou a formação de milhares de médicos de muito boa qualidade. Mas, os tempos mudaram e surgiram melhores estratégias para se aprender a examinar um paciente.

Os consultórios e as enfermarias dos hospitais con­ti­nuam sendo indispensáveis para treinamento semiotécnico e para desenvolver o raciocínio clínico, mas o laboratório de habilidades clínicas representa, sem dúvida, uma nova estratégia, com muitas vantagens. A principal é propiciar um eficiente treinamento das técnicas semió­ ticas, tanto para obter histórias clínicas como para fazer o exame

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21 - O sofrimento pelas lesões e pelo significado simbólico da AIDS

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O sofrimento pelas lesões e pelo significado simbólico da AIDS

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lém dos sinais e sintomas diretamente relacionados

com as lesões e disfunções, as doen­ças adquiriram significado simbólico ao longo da história da humanidade, a demonstrar a estreita relação das doen­ças com os fatores culturais.

Assim como a peste na Idade Média, a tuberculose algum tempo depois e o câncer em nossa época, a síndrome de imunodeficiên­cia adquirida

(acquired immunodeficiency syndrome, denominação em inglês que deu origem à sigla AIDS) ganhou um significado metafórico no qual estão contidos fantasias, medos, preconceitos, discriminações, aos quais nenhuma outra doen­ça se compara, nem mesmo o câncer. Disso decorre que, além do sofrimento causado pelas lesões e das disfunções provocadas pelo HIV, o doente sofre também, e às vezes mais, pelo significado simbólico da doen­ça. A doen­ça torna-se, então, um estigma.

No início da epidemia, na década de 1980, a AIDS foi catalogada pela mídia na categoria de peste, ou peste-gay, como ficou conhecida por algum tempo. Essa denominação evocava o sentido histórico da

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25 - “Nem luta nem fuga” como mecanismo de doença ou de morte

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“Nem luta nem fuga” como mecanismo de doen­ça ou de morte

O

processo saú­de-doen­ça precisa ser analisado de muitas

perspectivas, pois uma coisa é certa: a perspectiva da unicausalidade não é mais suficiente para compreendê-lo. Ao se levar em conta os fatores culturais a perspectiva passa a ser outra.

Sabe-se que os mesmo fatores, incluindo crenças, valores, práticas culturais, que podem proteger o in­di­ví­duo contra a in­fluên­cia de condições estressantes, também podem aumentar a probabilidade de surgirem doen­ças.

Desemprego, habitação precária, dificuldades de transporte, trânsito difícil, problemas financeiros, filas em instituições públicas, separação conjugal, perda de um ente querido, e tantas outras situações, são permanentes fontes de estresse. Na classe média, a impossibilidade de acompanhar o estilo de vida de pessoas do seu círculo de relações, em termos de posse de símbolos de riqueza e de objetos de consumo, também pode resultar em estresse, nascido e alimentado apenas na mente das pessoas. Aliás, atualmente, esse é o mecanismo

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11 - Relato de um encontro clínico “fora dos padrões”

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Relato de um encontro clínico “fora dos padrões”

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o se fazer a anam­ne­se, o significado de uma pergunta pode ser totalmente diferente para o médico e para o paciente, como se pode observar a partir do relato do encontro clínico descrito, a seguir, em cinco atos.

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Primeiro

ato

Um paciente que morava nas margens de um afluente do rio

Negro, ao se sentir adoentado, sem poder trabalhar, decidiu ir à procura de um médico em Manaus. Levantou cedo, guardou no embornal a farofa que sua mulher preparara naquela madrugada, pegou sua rede, uma camisa e uma cueca. Embarcou em sua canoa e remou durante várias horas para chegar ao rio Negro no final daquela tarde, a tempo de pegar o barco que o levaria a Manaus.

Não se esqueceu de levar seu radinho de pilha, único elo entre ele e o mundo.

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JJ

Segundo

ato

Naquela mesma noite o médico que o atenderia no dia seguinte e que era professor da faculdade de medicina fora para seu escritório, em sua casa, para estudar e preparar uma aula, hábito que cultivara durante toda a sua vida. Consultou livros, visitou alguns sites da internet, ouviu um pouco de música clássica e foi dormir ao lado de sua mulher.

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18 - As doenças podem ser semelhantes, mas os doentes nunca são exatamente iguais

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As doen­ças podem ser semelhantes, mas os doentes nunca são exatamente iguais

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ma das principais coisas que aprendi ao longo de mui-

tos anos de prática médica foi que as doen­ças podem ser semelhantes, mas os doentes nunca são exatamente iguais.

A semelhança entre as doen­ças é o que fez com que Morgagni, em sua magnífica obra publicada em 1761, intitulada De Sedibus et Causis

Morborum per Anatomen Indagatis, sistematizasse os conhecimentos anatomopatológicos nos quais os médicos se apoiaram para desenvolver o método clínico, de modo a fazer diagnósticos com o paciente em vida, correlacionando-os com os achados de necropsia. Ao lado da obra de Vesalius, De Humanis Corpore Fabrica, publicada em 1543, o livro de Morgagni constitui os alicerces da ciên­cia médica. Esta sistematização foi um grande avanço, só possível porque as doen­ças têm características comuns, tanto macro como microscopicamente.

O que justifica dizer que os pacientes nunca são exatamente iguais?

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57 - AIDS e suas metáforas

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AIDS e suas metáforas

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m carta anterior comentei o ensaio mais conhecido de Susan

Sontag, A Doença como Metáfora – escrito em 1977-1978, a partir de suas vivências na luta contra um câncer de mama. Dez anos depois, em 1988-1989, escreveu o ensaio AIDS e suas Metáforas, fruto de suas argutas observações sobre o que estava acontecendo com as pessoas que se contaminaram com o HIV.

No início deste ensaio, diz ela:

JJ

“Relendo agora meu livro A Doença como Metáfora, entendo melhor o sentido com que usei a palavra metáfora que consiste em dar a uma coisa o nome de outra. Dizer que uma coisa é ou parece outra que não é ela mesma, é uma operação mental tão antiga quanto a filosofia e a poesia, e é a origem da maioria dos tipos de saber – inclusive o científico – e de expressividade.

Sem dúvida, é impossível pensar sem metáforas!”

Sua maneira de pensar, profunda e abrangente, descobre na literatura a história das doen­ças que despertaram a imaginação de muitos

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33 - AC = E [MBE + (MBV)2 ]: uma equação matemática para a arte clínica

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AC = E [MBE + (MBV)2 ]: uma equação matemática para a arte clínica

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esde a minha época de estudante desejava encontrar uma síntese do que representasse minhas atividades junto aos pacientes.

Eu me perguntava: “O que estou fazendo aqui? Para que serve tudo isso que estou estudando? Como devo agir? Afinal, o que é a profissão médica?”. Talvez, você já se tenha feito estas mesmas perguntas algumas vezes. Aos poucos, fui compreendendo que a essência do trabalho do médico é levar para cada paciente a ciên­cia médica.

Muito tempo depois, descobri que esta é a melhor definição de arte clínica: ciência e arte se completando. O segredo estava sendo desvendado. Eu tinha a definição, mas estava faltando identificar seus componentes. Até que um dia, em uma das inúmeras e agradáveis conversas com o Prof. Flávio Dantas, abordamos este tema. De início, concordamos que a medicina nasceu associada a rituais mágicos e místicos que os povos mais primitivos usavam para cuidar de seus doentes. Havia arte, mas não existia ciên­cia (por isso, não tenha receio de vislumbrar em seu íntimo a discreta presença de um xamã!

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42 - O princípio da autonomia e a adesão ao tratamento

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O princípio da autonomia e a adesão ao tratamento

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m carta anterior, abordei o tema aliança terapêutica e adesão ao tratamento, na verdade, duas facetas da mesma questão.

Não há um modelo pronto para se fazer uma aliança com o paciente ou para garantir sua adesão. Melhor dizendo, há muitas maneiras de se fazer essa aliança; em todas elas, o essencial é a capacidade de motivação. A dificuldade é, justamente, mobilizar um paciente – e sua família –, com o objetivo de se obter a adesão ao tratamento, seja ele qual for.

Uma das maneiras, talvez própria de pessoas altamente racionais, pode ser exemplificada pela história de seu Israel, relatada por

Drauzio Varella, em seu livro Por um Fio:1

JJ

“Quando seu Israel me procurou no consultório, tinha mais de setenta anos, o olhar cheio de vida... E um sotaque judaico ainda forte para quem morava no Brasil fazia mais de quarenta anos,

Varella, D. Por um Fio. Cia. das Letras, 2004.

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22 - A doença como castigo

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A doen­ça como castigo

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omo as doen­ças na medicina mágica eram consideradas resultado da intervenção de “espíritos malignos”, nada mais natural que os povos antigos as interpretassem como castigo. Lutar contra elas era privilégio daqueles que tinham acesso às forças sobrenaturais – xamãs, sacerdotes, feiticeiros e pajés.

Curiosamente, mesmo quando Hipócrates e seus discípulos revolucionaram o conceito das doen­ças, passando a considerá-las fenômenos naturais, resultantes da intervenção de elementos presentes nos “ares, mares e lugares”, permaneceu a interpretação de que elas seriam castigos por atos praticados pela própria pessoa ou por algum membro de sua família.

Quando a igreja católica, na Idade Média, apropriou-se dos doentes, o processo de adoecer passou a ser percebido como manifestação da vontade de Deus, passando a ter uma forte relação com o pecado e uma oportunidade de conversão.

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7 - Afinal, o que é olho clínico?

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Afinal, o que é olho clínico?

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or certo, vez por outra ainda ouve-se falar em olho clínico.

Mas, afinal, o que é isso? É uma antiga expressão aplicada àqueles médicos que tinham a capacidade de identificar, rapidamente, uma doen­ça, mesmo não dispondo de bons recursos para se chegar a um diagnóstico. Esta época já passou, porém, a expressão “olho clínico” pode permanecer, só que precisa ser redefinida.

Então, o que seria “olho clínico”? Um complexo processo cognitivo que tem início quando nos deparamos com um paciente. Se tivermos, de fato, interesse em fazer um diagnóstico correto, ou seja, quando queremos saber o que está ocorrendo com aquela pessoa, entra em alerta máximo todos os nossos sentidos, ao mesmo tempo em que se utiliza, consciente ou inconscientemente, a base de dados que já temos armazenados em nossa mente. Em outras palavras: o que se chama “olho clínico” não passa de um processamento de dados pelo nosso cérebro, só que de modo extremamente rápido, mobilizando conhecimentos em nível inconsciente e experiências anteriores. Mal comparando, é como se o cérebro fosse um computador com vários

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15 - O que é ser um médico moderno?

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O que é ser um médico moderno?

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ou iniciar esta carta com duas perguntas. A primeira: Você tem

consciên­cia de que a medicina é um conjunto de tradições, conhecimentos e técnicas que vêm se acumu­lando há mais de 2.000 anos? A segunda: O que é ser moderno em uma profissão tão antiga?

A medicina de hoje é fruto da evolução da humanidade, ou seja, não é apenas o resultado da descoberta dos mi­cror­ga­nis­mos ou da invenção das máquinas que produzem imagens. Abrange tudo o que foi acontecendo com o ser humano, incluindo uma infinidade de coisas que foram criadas ao longo dos ­séculos – suas inven­

ções, suas relações com o meio ambiente e o contexto cultural.

Por incrível que pareça, nossa mente consegue, apoiando-se em elementos lógicos e intuitivos, utilizar todo este saber para aplicá-lo no alívio ou na cura do paciente que temos à nossa frente. Não tenha dúvida: nenhuma máquina jamais será capaz de fazer isso.

Ser moderno, portanto, não é ter informações recentes ou dominar a última invenção técnica.

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Apêndice | Código de Ética dos Técnicos de Segurança do Trabalho

CHIRMICI, Anderson; OLIVEIRA, Eduardo Augusto Rocha de Guanabara Koogan PDF

Apêndice | Código de Ética dos Técnicos de Segurança do Trabalho

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166  Introdução à Segurança e Saúde no Trabalho

O código de ética foi elaborado pela Federação Nacional dos Técnicos de

Segurança do Trabalho (Fenatest). O texto a seguir foi retirado na íntegra do site da Fenatest.

CÓDIGO DE ÉTICA DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO

Considerando a intensificação do relacionamento do profissional na área da segurança do trabalho, sendo imperativo para a disciplina profissional, resolve adotar o código de ética do técnico em segurança do trabalho, elaborada pelos integrantes da Comissão de Ética e instituições representativas da categoria dos técnicos de segurança do trabalho, como indicativo provisório até a regulamentação do Conselho Federal dos Técnicos de Segurança do Trabalho. cc

Resolve

Art. 01 – Fica aprovado o anexo código de ética profissional do técnico de segurança do trabalho.

Art. 02 – A presente Resolução entra em vigor na data de sua aprovação.

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24 - O paciente de “papel” e o paciente “virtual”

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O paciente de “papel” e o paciente “virtual”

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relação médico-paciente é o elemento essencial do encontro clínico. Está em seu núcleo, porque é neste momento que se pode pôr em prática as decisões diagnóstica e terapêutica, as quais precisam levar em conta as características da doen­ça – etiologia, fisiopatologia, sinais e sintomas – e as peculiaridades de cada doente.

Para se compreender a interação entre o médico e o paciente é conveniente esclarecer algumas questões. A primeira – talvez a que mais in­fluên­cia exerça – é quando o médico e o paciente têm origem social e bagagem cultural diferentes, quando, quase sempre, encaram os problemas de saú­de de maneiras também muito diferentes.

Helman, em seu clássico livro, Cultura, Saú­de e Doença,1 identifica as seguintes premissas sobre as quais se apoia a maioria dos médicos para o exercício da profissão: (1) racionalismo científico;

(2) ênfase em dados fisicoquí­micos quantitativos; (3) dualismo mente-

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5 - Como fazer uma boa entrevista clínica

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Como fazer uma boa entrevista clínica

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entrevista é um dos elementos essenciais do encon-

tro clínico, consagrada desde Hipócrates, com a denominação de

“anam­ne­se”, palavra de origem grega formada por aná (trazer de volta, recordar) e mnese (memória), ou seja, trazer de volta à mente todos os fatos relacionados com a doen­ça e com o paciente.

A anam­ne­se tem três objetivos: identificar a doen­ça, conhecer o doente e estabelecer uma boa relação médico-paciente.

Na maioria das vezes o recurso de que nos valemos é a palavra falada. É óbvio que em situações especiais, como a de pacientes surdos, por exemplo, lança-se mão de outros meios de comunicação, tais como gestos e palavras escritas. É crescente o interesse dos médicos e demais profissionais da saú­de de dominar a língua brasileira de sinais (LIBRAS), o que oferece enorme benefício para a atenção à saú­de desses pacientes.

Por intermédio da entrevista constrói­-se a história clínica, acrescida de elementos biográficos. Portanto, a história clínica não é o simples

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61 - O filho eterno

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O filho eterno

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o livro O Filho Eterno,1 Cristovão Tezza desenvolve um tema de grande relevância para se conhecer o lado humano da medicina.

Não se trata apenas do relato de vivência de um pai com o filho que nasce com mongolismo, hoje denominado síndrome de Down.

É uma obra literária de grande vigor: duas tramas se entrelaçam, ora frouxamente alinhavadas, ora tecidas em trama apertada, unindo o passado do pai com o presente do filho. Um tema fascinante abordado com maestria pelo autor.

Cristovão Tezza foi um jovem marcado pelo movimento hippie, sofreu os efeitos da repressão da ditadura, “apenas por sonhar”, como diz ele, “com justiça social e outras ideias taxadas de esquerdistas.”

Descreve inúmeros e significativos episódios nos quais mostra o estranhamento e o impacto que é receber a notícia de que o filho nasceu com uma anomalia genética que vai marcá-lo de maneira profunda, física e mentalmente, para o resto da vida.

Tezza, C. O Filho Eterno. Editora Record, 2007.

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