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17 - Para ser médico, sê inteiro!

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Para ser médico, sê inteiro!

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ão sei qual é seu interesse por poesia, mas como os poe­

tas falam uma linguagem simbólica que nasce no inconsciente, acre­ dito que eles conseguem expressar melhor nossos anseios e desejos mais recônditos.

Fernando Pessoa, poeta universal, deixou versos que são verda­ deiros autos de fé, como estes:

JJ

"Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui

Sê todo em cada coisa

Põe quanto és

No mínimo que fazes

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive."

Inspirado nesses versos, fiquei meditando sobre ser médico e vi neles uma mensagem perfeita, que eu reinterpretei como descrito a seguir.

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JJ

“Para ser médico, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui

(Nem o consciente, nem inconsciente

Nem o racional, nem o emocional)

Sê todo em cada caso

Põe quanto és

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39 - Como os médicos devem pensar... Mesmo contrariando laudos de ressonância magnética!

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Como os médicos devem pensar... Mesmo contrariando laudos de ressonância magnética!

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lho clínico é a capacidade do médico de tirar as melhores

conclusões quando todos os dados – clínicos e complementares – são considerados, tanto com relação à doen­ça como ao que se refere ao doente. Nesta capacitação está incluí­da a perspicácia para interpretar os resultados de exames complementares sem perder de vista as informações fornecidas pelo paciente, algumas aparentemente desprovidas de importância.

O médico experiente sabe que uma decisão diagnóstica não é o resultado de um ou de alguns exames complementares, por mais sofisticados que sejam, tampouco é a somatória dos gráficos ou valores de substâncias dosadas no laboratório. É um processo muito mais complexo. Utiliza todos esses elementos, mas não se resume a eles. É um processo cognitivo que integra múltiplos dados, relacionando-os dentro do contexto da pessoa que o médico tem diante de si.

Dito de outra maneira: um bom médico tem capacidade de reconhecer neste cipoal de informações os elementos essenciais que

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29 - Não sei mais quem é meu médico!

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Não sei mais quem

é meu médico!

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ou abordar uma situação que tem se tornado cada vez mais

frequente na prática médica com a subdivisão da medicina em especialidades e subespecialidades, que são indispensáveis, mas que causam conse­quências desastrosas para as quais precisamos buscar soluções.

Quando um paciente é atendido por vários médicos, ele não forma vínculos com nenhum deles, e expressa isto dizendo: “Não sei mais qual é o meu médico!”. Este desabafo, que ouvi inúmeras vezes, traz implícita a frustração do paciente de não ter um médico com o qual possa estabelecer laços emocionais, expressos na afirmativa “meu médico”, quando vai se referir ao profissional que cuida dele, em quem confia e é sua referência nos seus problemas de saú­de.

Por isso, não é exagero dizer que, quando um paciente tem um

médico, ele tem médico, quando ele é atendido por dois médicos, ele tem meio médico e quando são muitos os médicos que tratam dele, acaba não tendo nenhum médico.

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4 - A entrevista clínica não é uma conversa como outra qualquer!

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A entrevista clínica não é uma conversa como outra qualquer!

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ntende-se qualquer entrevista como uma técnica de traba-

lho, durante a qual duas pessoas, em concordância formal ou implícita se encontram para uma conversa, cuja característica principal é estar relacionada com os objetivos de ambos.

É tão especial a entrevista clínica que ela tem nome diferente – anam­ne­se. O papel de uma dessas pessoas – no caso, o médico ou o estudante de medicina – é coletar informações, enquanto o da outra

– o paciente – é de fornecê-las. Diferentemente de outras entrevistas, no caso da médica o objetivo não fica restrito a obter informações.

Outro objetivo é estabelecer um bom relacionamento entre o médico e o paciente, condição fundamental para uma boa prática médica.

Há muitas maneiras de se fazer uma entrevista; melhor dizendo, há diferentes técnicas, mas em todas devem ser destacadas a arte do relacionamento e o processo comunicacional. Primeiramente, deve ficar claro que uma entrevista médica não é uma conversa como qualquer outra! Além da capacidade de dialogar – falar e ouvir, mais ouvir do

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8 - Raciocínio clínico

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Raciocínio clínico

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o longo dos anos, cheguei à conclusão de que está

errada a maneira como ensinamos aos estudantes o raciocínio diagnóstico, melhor dizendo, o raciocínio clínico, porque fazem parte dele não apenas a decisão diagnóstica, mas, também, a proposta terapêutica e a avaliação prognóstica.

Isso porque, no início da aprendizagem clínica, o estudante costuma ficar limitado à “técnica” da coleta dos dados clínicos do paciente, sem preocupação diagnóstica e terapêutica. O paciente é examinado de modo estereotipado, com o objetivo de preencher um prontuá­rio, quase sempre seguindo rigorosamente um roteiro. Até certo ponto, isso é justificável para facilitar o ensino, mas não corresponde ao mundo real da prática médica.

Só após o preenchimento do prontuá­rio o estudante se dedica ao

raciocínio diagnóstico. Relaciona “todos” os dados anormais, seja da história ou do exame físico, e, integrando os achados, à luz de seus conhecimentos de anatomia, fisiologia, e fisiopatologia, aventura-se

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