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4 - A entrevista clínica não é uma conversa como outra qualquer!

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A entrevista clínica não é uma conversa como outra qualquer!

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ntende-se qualquer entrevista como uma técnica de traba-

lho, durante a qual duas pessoas, em concordância formal ou implícita se encontram para uma conversa, cuja característica principal é estar relacionada com os objetivos de ambos.

É tão especial a entrevista clínica que ela tem nome diferente – anam­ne­se. O papel de uma dessas pessoas – no caso, o médico ou o estudante de medicina – é coletar informações, enquanto o da outra

– o paciente – é de fornecê-las. Diferentemente de outras entrevistas, no caso da médica o objetivo não fica restrito a obter informações.

Outro objetivo é estabelecer um bom relacionamento entre o médico e o paciente, condição fundamental para uma boa prática médica.

Há muitas maneiras de se fazer uma entrevista; melhor dizendo, há diferentes técnicas, mas em todas devem ser destacadas a arte do relacionamento e o processo comunicacional. Primeiramente, deve ficar claro que uma entrevista médica não é uma conversa como qualquer outra! Além da capacidade de dialogar – falar e ouvir, mais ouvir do

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17 - Para ser médico, sê inteiro!

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Para ser médico, sê inteiro!

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ão sei qual é seu interesse por poesia, mas como os poe­

tas falam uma linguagem simbólica que nasce no inconsciente, acre­ dito que eles conseguem expressar melhor nossos anseios e desejos mais recônditos.

Fernando Pessoa, poeta universal, deixou versos que são verda­ deiros autos de fé, como estes:

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"Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui

Sê todo em cada coisa

Põe quanto és

No mínimo que fazes

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive."

Inspirado nesses versos, fiquei meditando sobre ser médico e vi neles uma mensagem perfeita, que eu reinterpretei como descrito a seguir.

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“Para ser médico, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui

(Nem o consciente, nem inconsciente

Nem o racional, nem o emocional)

Sê todo em cada caso

Põe quanto és

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12 - O curso de medicina como fonte de ansiedade

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O curso de medicina como fonte de ansiedade

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ste é um tema delicado, mas é necessário abordá-lo: o curso de medicina pode ser fonte de ansiedade? Ao que eu saiba, quem primeiro levantou a questão do curso de medicina como gerador de tensões e ansiedades foi o educador George Miller, autor do famoso livro Pedagogia Médica, cuja 1a edição em português foi publicada em 1967 e teve grande in­fluên­cia na formação de professores de medicina daquela época.

Miller1 salientava que, em princípio, cada estudante reagia a essas tensões de acordo com sua maturidade emocional. Mas, diversos fatores participavam da maneira de reagir.

É importante que se saiba, desde logo, que muitas dessas tensões são inevitáveis e boa parte delas se dissipam naturalmente sem maiores conse­quências à medida que avança no curso.

Miller, GE. Ensino e Aprendizagem nas Escolas Médicas. Cia. Ed. Nacional, 1967.

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31 - O médico como paciente

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O médico como paciente

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ara se compreender os dois lados da relação, o do médico e do paciente, nada melhor do que conhecer alguns relatos de médicos que se tornaram pacientes. Um dos mais ilustrativos é o do Dr.

Rabin, um endocrinologista americano, acometido por esclerose lateral amiotrófica. Eis o relato que fez sobre seu “encontro clínico” com um renomado neurologista: “Fiquei desiludido com a maneira impessoal dele se comunicar comigo. Não demonstrou, em momento nenhum, interesse por mim como uma pessoa que estivesse sofrendo.

Não me fez nenhuma pergunta sobre meu trabalho. Não me aconselhou nada a respeito do que tinha de fazer para me adaptar àquela doen­ça, que sabía­mos – eu o neurologista – não ter cura. Gastou seu tempo me expondo aspectos anatômicos e patológicos e apresentou com detalhes (inúteis para mim) a curva de mortalidade da esclerose amiotrófica”.

Ao fazer reflexões sobre esta sua experiência como paciente, o Dr.

Rabin deu-se conta de que sua formação médica também se caracterizou pela busca de conhecimentos científicos, os mais refinados

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3 - O ritual da consulta médica

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O ritual da consulta médica

O

s rituais, inerentes a todas as sociedades humanas, assumem diversas formas e desempenham importantes funções. A consulta médica é um momento ritualístico, por excelência, e não pode deixar de ser considerado como tal.

Os rituais coletivos são de fácil reconhecimento. Os mais comuns são os religiosos, os esportivos, os musicais, os turísticos e os políticos. Em todos eles, os componentes simbólicos são sempre explorados ao máximo, porque, embora não façam parte do conteú­do do que está sendo ritualizado – solenidade religiosa, comício político, show artístico, disputa esportiva –, eles reforçam o objeto central – a oração, a música, o jogo, a doutrinação. Daí­, a grande importância do componente simbólico dos rituais. As mesmas orações em voz baixa em uma capela silenciosa repercutem de modo diferente nos participantes do que as realizadas em uma catedral repleta de luzes, música, vestes coloridas e cânticos.

Os elementos simbólicos observados nos rituais são os mais variados – roupas, gestos, palavras, sons, músicas, aromas, luzes.

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