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Medium 9788580550023

1. OS PRIMÓRDIOS DA ARQUITETURA

Fazio, Michael Grupo A - AMGH PDF

CAPÍTULO 1

OS PRIMÓRDIOS DA ARQUITETURA

A

lguns leitores talvez fiquem desanimados com a perspectiva de um capítulo inteiro sobre os “primórdios” ou a “pré-história” da arquitetura, acreditando que as construções realmente interessantes e as ideias verdadeiramente provocadoras se encontram muitas páginas à frente; felizmente, este não é o caso. As estruturas que apresentamos neste capítulo inicial são ricas e variadas e, com frequência, sofisticadas. Além disso, por serem “antigas” e sempre locais, estão de certa forma mais expostas à revelação do que as estruturas posteriores. Ou seja, elas expõem certos princípios fundamentais da arquitetura, assim como – quem sabe – alguns aspectos fundamentais da condição humana, para que os consideremos.

Em 1964, o polímato, arquiteto, engenheiro e historiador Bernard Rudofsky organizou a exposição Architecture

Without Architects (Arquitetura Sem Arquitetos) no Museu de Arte Moderna da Cidade de Nova York, e, embora surpreendente para a época, acabou se tornando extremamente influente. A exposição causou certo frisson ao surgir em um período de questionamento cultural generalizado nos Estados Unidos; o subtítulo do livro que a acompanhava – A

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Medium 9788530935887

MACROCOSMO: ALMA APOLÍNEA, ALMA FAUSTIANA, ALMA MÁGICA

SPENGLER, Oswald Forense Universitária PDF

MACROCOSMO:

ALMA APOLÍNEA, ALMA FAUSTIANA,

ALMA MÁGICA

A Arquitetura e o Mundo dos Deuses

Daqui em diante, chamarei de apolínea a alma da cultura “antiga”, que elegeu como tipo ideal da extensão o corpo individual, presente e sensível. Desde os tempos de Nietzsche, essa designação é compreensível para toda gente. Oponho à alma apolínea faustiana, cujo símbolo primordial é o espaço puro, ilimitado, e cuja “encarnação” é a cultura ocidental, tal como desabrochou no século X da nossa era, quando o estilo românico nasceu nas planícies nórdicas, entre os rios Elba e Tejo. Agora já posso dizer que “o espaço” no idioma faustiano é um quê espiritual, rigorosamente separado do presente sensível do momento; algo que não tinha o direito de estar apresentado numa língua apolínea, como, por exemplo, o grego e o latim.

Mas também o espaço plasmado, expressivo, permanece inteiramente estranho a todas as artes apolíneas. Em nenhuma outra cultura insiste-se tanto na firmeza da posição ereta, no pedestal. A coluna dórica penetra na terra. Os vasos gregos estão concebidos de baixo para cima, ao passo que os renascentistas flutuam sobre a base. É por essa razão que as obras arcaicas acentuam sobremaneira as articulações; o pé descansa sobre toda a planta, e a orla inferior das vestes compridas é omitida, a fim de mostrar como ele se finca no solo. O relevo “antigo”, estritamente estereométrico, acha-se colocado numa superfície.

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MACROCOSMO: O SIMBOLISMO DA IMAGEM CÓSMICA E O PROBLEMA DO ESPAÇO

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MACROCOSMO:

O SIMBOLISMO DA IMAGEM CÓSMICA E O

PROBLEMA DO ESPAÇO

O Macrocosmo como Conjunto dos Símbolos Relacionados com uma Alma

Os símbolos são sensíveis, impressões derradeiras, indivisíveis e sobretudo involuntárias, e que possuem uma importância determinada. Um símbolo é um traço da realidade, o qual, para pessoas dotadas de sentidos vigilantes, designa com imediata e íntima certeza alguma coisa que não pode ser comunicada pelo intelecto. Um ornamento dórico, árabe ou românico da primeira fase; o feitio da casa rural; a forma da família, do tráfego, dos trajes e das cerimônias religiosas; mas também o rosto, o andar, a postura de um indivíduo, tanto como de classes e poços inteiros; o modo de falar e os tipos de habitações de homens e animais; e ainda a linguagem muda da natureza com seus bosques, pradarias, rebanhos, nuvens, astros, com noites de luar e tempestades, com florescências e definhamentos, com proximidades e distâncias – tudo isso é impressão simbólica que o cosmo nos causa, desde que nos mantenhamos vigilantes. Sempre que despertarmos, percebemos que um “ali” está se afastando do “aqui”. Vivemos o “aqui”, ao passo que assistimos ao “ali”. O primeiro é para nós o próprio; o segundo, o estranho. É a disjunção da alma e do mundo, como polos da realidade, e nessa existem não somente resistências, concebidas por nós, de modo causal, como objetos ou qualidades, e impulsos, nos quais sentimos a atividade de outros seres, os numina, que são “como nós mesmos”, se não também algo que, por assim dizer, anula aquele dualismo. A realidade – o mundo com relação a uma alma – é para cada indivíduo a direção projetada sobre o terreno da extensão. Ela é o próprio que se reflete no estranho. Significa o

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A FÍSICA FAUSTIANA E A FÍSICA APOLÍNEA

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A FÍSICA FAUSTIANA E A FÍSICA APOLÍNEA

Toda Ciência Natural Depende de Determinada Religião

Num discurso que se tornou célebre, disse Helmholtz em 1869:

“A finalidade da Ciência Natural é achar os movimentos que servem de base a todas as modificações, e descobrir suas forças motrizes; quer dizer, converter-se em mecânica”. Tal conversão significa a redução de quaisquer impressões qualitativas a valores quantitativos, fundamentais e invariáveis; isto é, a extensões e suas mudanças de lugar; levando ainda em consideração as oposições entre o ato de devir e o que deveio, entre experiência íntima e o conhecimento, entre a forma e a lei, entre a imagem e o conceito, isto significa ademais a redução da imagem que fazemos da Natureza vista à imagem que nos representamos de uma ordem numérica, uniforme, de estrutura mensurável. A tendência real de toda a Mecânica ocidental consiste em tomar posse das coisas, espiritualmente, por meio da medida. Assim se explica que ela se veja obrigada a procurar a essência de todos os fenômenos num sistema de elementos constantes, inteiramente acessíveis à medição, e dos quais o mais importante é designado, segundo a definição de Helmholtz, pelo termo “movimento”, tirado da experiência vital cotidiana.

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Medium 9788502051485

Capítulo X - A CORRUPÇÃO DOS ROMANOS

Gonçalves Jr., Jerson Carneiro Editora Saraiva PDF

173

Capítulo X

A CORRUPÇÃO DOS ROMANOS 285

1. A religiosidade dos Romanos286

..........................................................................................

Políbio286b diz que, no seu tempo, os juramentos não autorizavam confiar num Grego, enquanto que um Romano, a bem dizer, ficava por eles acorrentadob.

Há um fato nas cartas de Cícero287 a Áticoc que mostra o quanto os Romanos tinham mudado a esse respeito desde o tempo de Políbio.

285. O título do Capítulo está como no original. Para maior clareza, dividimos o Capítulo em itens, com respectivos subtítulos. Linha pontilhada: v. Anexo. As notas de Montesquieu estão indicadas no texto alfabeticamente, e acham-se no Anexo.

Sobre a correlação deste Capítulo com o precedente e com o Capítulo XVIII, ver nota 282.

286. Os Romanos eram muito religiosos e sacralizaram suas instituições, como expõe aqui Montesquieu. Acrescentaremos a propósito: a sacralização do juramento, base da disciplina militar (nota 18, e nota “b” de Montesquieu neste Capítulo); sacralização das fronteiras, inclusive R. Rubicom (notas 3a, 14a e 310a); sacralização de penas como o homo sacer e a crucifixão (notas 3a e 310a); e a sacralização da própria autoridade imperial (notas 346 e 371).

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O MUNDO DAS FORMAS ECONÔMICAS: A MÁQUINA

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O MUNDO DAS FORMAS ECONÔMICAS:

A MÁQUINA

A Técnica é tão antiga quanto a vida que se movimenta livremente no espaço.1 A relação original entre um microcosmo vigilante e o seu macrocosmo – a “Natureza” – consiste num ato de sondar realizado pelos sentidos, o qual, depois de ser, no começo uma mera impressão dos mesmos, transforma-se em seu juízo. Desse modo, já atua criticamente (“separando”) ou – o que é a mesma coisa – analiticamente, procurando as causas. O momento decisivo da história da vida superior ocorre quando as percepções da Natureza, feitas na intenção de orientar-se à base delas, convertem-se em ações destinadas a dar à

Natureza determinado caráter, modificando-a propositadamente. Assim, a Técnica torna-se até certo ponto soberba, e a instintiva experiência primária converte-se em uma ciência primordial, da qual os seus portadores têm nítida “consciência”. O pensamento emancipou-se da sensação. Essa fase foi introduzida pelo idioma verbal.

Com ela, desenvolve-se do sistema de sinais característicos uma teoria, uma imagem, que se desprende da técnica cotidiana, não somente no período dos começos primitivos, mas também no auge da

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INTRODUÇÃO

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INTRODUÇÃO

A Tarefa

NESTE LIVRO acomete-se pela primeira vez a tarefa de predizer a História. Trata-se de visionar o destino de uma cultura, por sinal da única no nosso planeta a ter alcançado a sua plenitude, a saber, a cultura da Europa ocidental e das Américas. Cabe-nos predefinir o curso que sua evolução tomará nas fases futuras.

Existe uma lógica na História? Haverá, além dos feitos avulsos, que são casuais e imprevisíveis, uma estrutura, por assim dizer, metafísica, da Humanidade histórica, e que permaneça independente das conhecidas manifestas formações político-espirituais, que se veem na superfície? Uma estrutura que, pelo contrário, origine essa realidade secundária? Não se apresentam as grandes linhas da História Universal aos olhos inteligentes sempre sob um aspecto que permita tirar conclusões? E, se isso for assim, quais serão então os limites de tais deduções? Será possível descobrir na própria vida – já que a história humana é a totalidade de enormes ciclos vitais, que a linguagem usual costuma apresentar e personificar, espontaneamente, como indivíduos de ordem superior, ativos e pensantes, chamando-os de “a

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Medium 9788502051485

Capítulo XIV - TIBÉRIO

Gonçalves Jr., Jerson Carneiro Editora Saraiva PDF

215

Capítulo XIV

TIBÉRIO379

1. Os governos de Augusto e de Tibério

Tal como um rio, que se vê minar lentamente e sem ruído os diques opostos a ele, e afinal derrubá-los num momento e cobrir os campos que eles conservavam, pois assim o poder soberano: sob Augusto agiu insensivelmente, e, sob Tibério, derrubou com violência.

2. Crime de lesa-majestade e perseguição judicial380

Havia uma Lei de Majestade contra os que atentassem contra o povo romano. Tibério apoderou-se daquela lei e aplicou-a

379. O título do Capítulo está como no original. Para maior clareza, subdividimos o Capítulo em itens com respectivos subtítulos. Linhas pontilhadas v. Anexo. As notas de Montesquieu, indicadas no texto alfabeticamente, acham-se no Anexo.

Tibério (42 a.C./37 d.C.) foi o segundo Imperador. Filho adotivo de Augusto. Sua mãe era mulher de Augusto. V. notas 383 e 389.

O tanto que Júlio César desprezou e achincalhou o Senado é o quanto este foi detestado e perseguido pelos Imperadores parentes dele. Tibério, com longo tirocínio governamental ao lado de Augusto, moveu ao Senado perseguição judicial e econômica, fingindo estimá-lo (notas 381 e 383). Como Augusto.

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7. A ARQUITETURA ISLÂMICA

Fazio, Michael Grupo A - AMGH PDF

CAPÍTULO 7

A ARQUITETURA ISLÂMICA

C

omo vimos anteriormente, os primeiros cristãos passaram por um longo processo até desenvolver formas de arquitetura que fossem adequadas à sua religião e a expressassem bem. Os seguidores da religião fundada pelo profeta Maomé passaram por um processo evolutivo similar, mas que levou a resultados bastante diferentes à medida que construíam prédios que servissem ao Islamismo e o simbolizassem.

O Islamismo surgiu na Arábia. Conforme acreditam os muçulmanos, em 610 d.C., o anjo Gabriel apareceu para

Maomé, em Meca, e, aos poucos, lhe revelou Deus, ou Alá

(em árabe, “Al-lah” significa “o Deus”). Essas revelações foram reunidas em um livro sagrado, o Alcorão (ou Corão), que expressava na língua árabe a mensagem do Islã, palavra que significa a submissão ao desejo de Alá. Todos os muçulmanos aceitam cinco verdades ou deveres fundamentais: crer em apenas um deus e que Maomé foi seu mensageiro; rezar cinco vezes ao dia; jejuar do amanhecer ao anoitecer durante o mês de Ramadã; dar esmolas aos pobres; e, desde que tenham saúde e dinheiro para tal, fazer ao menos uma peregrinação à cidade sagrada de Meca.

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13. O SÉCULO DEZOITO

Fazio, Michael Grupo A - AMGH PDF

CAPÍTULO 13

O SÉCULO DEZOITO

O

s avanços de arquitetura do século XVIII foram complexos, incluindo elementos e temas divergentes, alguns antigos e outros novos. O Barroco

Tardio ainda perdurava especialmente na Europa

Central, principalmente nas grandes obras para a nobreza ou a Igreja Católica. Vierzehnheiligen e a Würzburg Residenz, na Alemanha, bem como o Palácio de Blenheim, na

Inglaterra, e os últimos estágios da construção francesa em

Versalhes, datam do século XVIII.

Em alguns locais, arquitetos produziram “bolos confeitados”, como o Pavilhão Amalienburg, de Françoise

Cuvillé, no Castelo de Nymphenburg, perto de Munique

(1734–39). Dentro desse pequenino pavilhão de jardim, que inclui canis quase tão elaborados quanto o salão principal, a ornamentação com estuque de Johann Baptist Zimmerman explode em inúmeras cores e texturas, de modo a acompanhar a boiserie, ou talhas de madeira dourada. O florescimento tardio do Barroco durante a primeira metade do século XVIII é conhecido como Rococó. O nome é uma fusão das palavras rocaille, que descreve as formas orgânicas das rochas, plantas e conchas aquáticas, e coquille, que significa “concha”. Na França, o estilo Rococó foi usado principalmente nos interiores, o que é exemplificado pela obra de J. A. Meissonier (1695–1750), mas posteriormente os arquitetos neoclássicos do país reagiram aos excessos.

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ORIGEM E PAISAGEM: O CÓSMICO E O MICROCOSMO

SPENGLER, Oswald Forense Universitária PDF

ORIGEM E PAISAGEM:

O CÓSMICO E O MICROCOSMO

Contemplai as flores ao anoitecer, quando, à luz do sol poente, uma após outra fecha a sua corola. Qualquer coisa inexplicável acerca-se então de vós. Uma sensação de misteriosa angústia invade a vossa alma, em face de tal existência cega, onírica, ligada à terra. O bosque mudo, os prados silenciosos, aquele arbusto e essa trepadeira – nada se move pela sua própria força. Quem brinca com eles é o vento. Mas o mosquito é livre; dança pelos ares da tarde; movimenta-se e dirige-se aonde quiser.

Uma planta por si só não é nada. Constitui parte da paisagem, na qual o acaso a obrigou a arraigar-se. O crepúsculo, o sereno, a oclusão de todas as corolas – nada disso é causa e efeito, nem perigo que se advirta, nem tampouco resolução que se tome, mas um processo natural, uniforme, a realizar-se junto à planta, com ela no seu interior. A planta avulsa não tem liberdade de esperar, de querer, de escolher.

O animal, por sua vez, é capaz de escolher. Acha-se desprovido dos laços que amarram o resto do mundo. Aquele enxame de mosquitos, que a essa hora ainda dancem por cima da estrada; uma ave solitária, a adejar através da noite; uma raposa que espie um ninho

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5. O MUNDO ROMANO

Fazio, Michael Grupo A - AMGH PDF

CAPÍTULO 5

O MUNDO ROMANO

urante o primeiro milênio antes de Cristo, enquanto a civilização grega surgia e florescia no continente e no leste do Mediterrâneo, um povo enigmático

– os etruscos – estava se assentando e desenvolvendo sua própria cultura no centro-norte da Itália, na atual

Toscana. Suas origens não são bem definidas; acredita-se que tenham migrado para a península italiana vindos da

Ásia Menor por volta de 1200 a.C., depois do colapso do

Império Hitita. Com base nas inscrições, nas obras de arte, nos artefatos e na arquitetura que chegaram até nós, parece que os etruscos tiveram diversas raízes. A Grécia, durante os Períodos Primitivo e Clássico, exerceu uma influência muito forte, mas também havia outras relações culturais. A língua etrusca continha elementos indo-europeus e não indo-europeus e era escrita em um alfabeto derivado diretamente do grego; sua religião, que dava muita importância a enterrar os mortos com objetos de uso diário necessários no além, tinha muito em comum com a egípcia. Tal qual a arte hitita, a arte etrusca também apresentava relevos de feras protetoras nas entradas dos túmulos e, assim como a arte dos minóicos e micênicos, decorações naturalistas representavam pássaros e golfinhos. A prática etrusca de ler presságios nas vísceras dos animais se assemelha à tradição babilônica e assíria; o uso de arcos e abóbadas em portais monumentais indica conexões com a arquitetura da Ásia Menor. Embora tenham assimilado muito de seus vizinhos, os etruscos eram um povo original, cujos feitos deixaram uma forte impressão na civilização romana.

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A IDEIA DA ALMA E O SENTIMENTO DA VIDA: BUDISMO, ESTOICISMO, SOCIALISMO

SPENGLER, Oswald Forense Universitária PDF

A IDEIA DA ALMA E O SENTIMENTO DA VIDA:

BUDISMO, ESTOICISMO, SOCIALISMO

Cada Cultura tem sua Própria Forma de Moral

No que se refere à Moral, os homens ocidentais, sem exceção, acham-se sob a influência de uma enorme ilusão ótica. Todos exigem alguma coisa dos seus semelhantes. Pronuncia-se um imperativo: “Tu deves”, na convicção de que realmente haja algo que possa e careça ser modificado, plasmado, organizado uniformemente. A fé nessa possibilidade e no direito de realizá-la é inabalável. Nesse ponto, manda-se e exige-se obediência. Na ética do Ocidente, tudo é direção, desejo de poder, atuação proposital à distância. Quanto a isso, estão de perfeito acordo Lutero e Nietzsche, os papas e os darwinistas, os socialistas e os jesuítas. Sua moral apresenta-se com pretensão de validez geral, perene. Essa pretensão faz parte das necessidades do ser faustiano. Quem se afastar desse pensamento, desse dogma, desse desejo, será considerado pecador, herege, inimigo, e terá de ser combatido sem quartel. O Homem deve. O Estado deve. A Sociedade deve. Essa forma de moral é para nós evidente. Representa, aos nossos olhos, o sentido próprio e único de toda moral. Não era, porém, assim nem na Índia, nem na China, nem tampouco na Antiguidade.

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Capítulo III - COMO OS ROMANOS PUDERAM ENGRANDECER-SE

Gonçalves Jr., Jerson Carneiro Editora Saraiva PDF

106

Da Grandeza dos Romanos e da sua Decadência

Capítulo III

COMO OS ROMANOS PUDERAM

ENGRANDECER-SE58

1. Poderio militar na Antiguidade

Tendo os povos da Europa, na atualidade, mais ou menos as mesmas técnicas59, mesmas armas, mesma disciplina e mesma ma-

58. O título está como no original. Este Capítulo complementa o anterior, conforme técnica expositiva de Montesquieu (notas 1 e 32).

Linha pontilhada: v. Anexo.

As notas de Montesquieu estão indicadas no texto com letras, e acham-se no Anexo.

O cidadão só é bom soldado quando luta com o espírito cívico, i.e., luta convicto de que se sacrifica para o bem da sua Nação. Tal disposição psicológica sobreleva o preparo simplesmente técnico do soldado. O espírito da Nação romana era guerreiro, era a convicção de precisar das guerras, para o bem de toda a Nação, i.e., para todos terem terras, já que as lides campestres constituíam o único trabalho para o Romano na paz.

É essa a exposição de Montesquieu aqui, completando o que iniciara já no Capítulo I, itens 2 e 3 (notas 14 e 22).

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9. A ARQUITETURA GÓTICA

Fazio, Michael Grupo A - AMGH PDF

CAPÍTULO 9

A ARQUITETURA GÓTICA

A

o considerar o Gótico a fase final da arquitetura medieval, nos deparamos com a questão da definição do estilo. O termo “gótico” foi aplicado pela primeira vez no século XVII para se referir a projetos que não se baseavam na antiguidade clássica e o rótulo era aplicado com desprezo. No século XIX, essas conotações pejorativas já haviam sido praticamente superadas, mas desde então os historiadores têm tido dificuldade para esclarecer exatamente o que caracteriza o Estilo Gótico. A definição mais óbvia envolve os elementos-chave empregados em muitas edificações góticas – o arco ogival e a abóbada nervurada – ainda que, como já vimos, ambos também estivessem presentes em muitas obras românicas. Há, contudo, outros elementos típicos exclusivos das edificações góticas, como os arcobotantes, as janelas com rendilhado e pilares ou colunas fasciculados, que servem como marcas registradas do estilo (Figura 9.1).

Outra definição comum se baseia na maneira como esses elementos foram reunidos na estrutura de igrejas e catedrais de grande porte, particularmente aquelas construídas na região em torno de Paris entre 1140 e 1220. Ao contrário das edificações românicas, nas quais uma massa ou parede contínua era necessária para resistir às cargas, nas edificações góticas a estrutura é um sistema em forma de esqueleto que transfere as cargas da cobertura ao solo por elementos discretizados, o que libera grandes áreas de parede para a fenestração. Contudo, os prédios seculares da época raramente têm essa seção de parede, então um conceito estritamente estrutural não basta para definir o Gótico. Podemos definir as edificações góticas com base em suas características espaciais, as quais tendem a enfatizar as verticais, consistir de células espaciais articuladas, mas unificadas, e gerar a sensação de amplidão típica de tal sistema de construção. Por fim, o estilo pode ser visto como um reflexo da era histórica e do imaginário religioso do período no qual se inseriu, relacionado tanto com o crescimento das sociedades urbanas quanto com as analogias teológicas dos tabernáculos do Velho Testamento e templos e conceitos da Nova Jerusalém.

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