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Livro VI

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Livro

VI

I

Depois de termos já dito, primeiramente, que se deve escolher o meio, 1138b18 e não o excesso nem o defeito, e que o meio, por sua vez, é tal como indica 20 o sentido orientador, chegou agora a altura de o analisarmos.

Há para todas as disposições do caráter referidas, tal como para todas as excelências, um determinado objetivo em vista do qual quem dispõe de um sentido orientador aumenta ou diminui a tensão nessa direção. Há também um certo horizonte que delimita as posições intermédias, as quais, dissemos, residem no espaço intermédio entre o excesso e o defeito, uma vez que elas existem conformadas pelo sentido orientador. Mas se falar as- 25 sim é verdade, por outro lado, não é nada claro. Pois, não menos falamos verdade, quando dizemos, a respeito das restantes preocupações humanas, que podem ser tratadas cientificamente, que não devemos aumentar a tensão ou relaxá-la, nem mais nem menos do que é devido, mas que devemos proceder em conformidade às disposições do meio e tal como as prescreve o sentido orientador. Contudo, quem souber disto, não está na posse de um saber por aí além, acerca do que quer que seja, pois não saberia, por 30 exemplo, aplicar nenhuma espécie de tratamento ao corpo humano, só pelo fato de alguém dizer que se deve aplicar toda a espécie de tratamentos de acordo com o que prescreve a medicina e o que nela é perito. É por este motivo que também a respeito das disposições da alma humana não devemos contentar-nos apenas com o fato de este enunciado ser verdadeiro, mas temos também de obter uma definição do que é ou do que pode ser o sentido orientador e qual é o horizonte a que ele se aplica.

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Glossário

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GLOSSÁRIO

Atividade em exercício, ™nšrgeia, passim

Atividade sem impedimento, ¢nempÒdistoj ™nšrgeia, 153a15, b10

Ato injusto/o injusto, ¢d…khma dist. ¥dikon, 135a8 e ss.

Afecção, paixão, emoção, p£qoj, 1132a9

Afeição, f…lhsij, 1155b28; 1156a6; 1159b19; 1166b33, 34; 1167b30; 1168a19

Alheio, estranho, alienado/próprio, peculiar, ¢llÒtrioj, opp. o„ke…oj, 1120a18;

1162a3

Alma, lucidez humana, yuc», 1105b17, 20; 1139a18, b15; 1147a27

Amar, estar apaixonado, ™r©n, 1155b3; 1158a11; 1167a4; 1171a11, b29

Ambição de honra, filotim…a, 1107b31; 1117b29; 1125b22, 23; 1159a13

Amizade fraterna, ¢delfik¾ fil…a, 161a6, b35, 162a10

Amizade, amor e afeição, fil…a, 1105b22; 1108a28; 1126b20, 22

Ânimo, ira, qumÕj, 1105a8; 1111b11; 1116b23; 1147a15; 1149a3, 26

Anseio, vontade, boÚlhsij, 1111b11; 1113a15; 1155b29; 1156b31; 1157b36; 1178a30

Aperceber(-se) de algo, a„sq£nesqai, 118a21, sentir, 126a6, perceber, 170a e ss.

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Livro V

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Livro

V

I

Acerca da justiça136 e da injustiça temos de apurar primeiramente 1129a3 qual é o seu âmbito de ação, de que espécie de disposição intermédia é a justiça e de que extremos é o justo meio termo. O nosso exame tem de 5 ser levado a cabo de acordo com o mesmo método aplicado nas análises precedentes.

Vejamos, então, que o que todos visam com «justiça» é aquela disposição do caráter a partir da qual os homens agem justamente, ou seja, é o fundamento das ações justas e o que os faz ansiar pelo que é justo. De modo oposto, a injustiça é a disposição do caráter a partir da qual os ho- 10 mens agem injustamente, ou seja, é o fundamento das ações injustas e o que os faz ansiar pelo injusto. Admitamos, pois, estas primeiras indicações como caracterizações dos traços essenciais da justiça e da injustiça.

Vimos já que as ciências, as capacidades e as disposições não se manifestam do mesmo modo.

Ou seja, se, por um lado, parece haver um único poder e uma única ciência a respeito de opostos, por outro lado uma [dada] disposição não 15 pode produzir resultados que lhe sejam opostos. Assim, por exemplo, o estado saudável não produz por si estados que lhe são opostos, mas apenas estados saudáveis. Nós dizemos, por exemplo, que alguém caminha de um modo saudável quando caminha do mesmo modo que caminha quem está de boa saúde.

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Introdução à Edição Brasileira

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INTRODUÇÃO À EDIÇÃO

BRASILEIRA

Nuno Manuel Morgadinho dos Santos Coelho

Universidade de São Paulo

É primorosa a tradução da Ética a Nicômaco que chega agora às mãos do leitor brasileiro. Fruto da combinação de uma rara vocação do tradutor para a filosofia, de sua elegância e sobriedade na escrita, e de anos de dedicação ao estudo de Aristóteles1 e da língua grega, é trabalho de especialista cuja excelência poderá ser provada

– saboreada – já no início da leitura do livro, cujo lugar central na história da filosofia

é por demais conhecido para que seja necessário argumentar mais.

1

Recuperação da phronesis como guia para o aprofundamento da compreensão do direito como pensamento prático e do seu lugar na constituição do humano

Tem grande relevo teórico e prático a nova apropriação, em curso, da ética de

Aristóteles nos diversos horizontes do saber e da experiência. Nesta introdução à edição brasileira da tradução de António de Castro Caeiro, gostaria de ressaltar o quão profícua essa reapropriação pode ser no aprofundamento da investigação sobre o pensamento jurídico. É mais que esclarecedor – é inspirador! –, por exemplo, retomar o Livro VI da Ética a Nicômaco, que trata das virtudes dianoéticas, virtudes do pensar, e da sua relação decisiva com as virtudes éticas – virtudes do desejar.

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Livro I

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Livro

I

I

Toda a perícia17 e todo o processo de investigação,18 do mesmo modo todo o procedimento prático19 e toda a decisão,20 parecem lançar-se para um certo bem. É por isso que tem sido dito acertadamente que o bem21

é aquilo por que tudo anseia. Parece, contudo, haver uma diferença entre os fins:22 uns são, por um lado, as atividades23 puras; outros, por outro lado, certos produtos24 que delas resultam para além delas: o produto do seu trabalho. Há, pois, fins que existem para além das suas produções.25

Neste caso, os produtos do trabalho são naturalmente melhores do que as meras atividades que os originam. Sendo diversos os procedimentos práticos, as perícias e as ciências, assim também são diversos os respectivos fins. Assim é, por exemplo, o caso da saúde relativamente à medicina, da embarcação relativamente à construção naval, da vitória relativamente

à estratégia militar, da riqueza relativamente à economia. Nos casos em que as perícias estão subordinadas a uma única capacidade26 – tal como, por exemplo, a fabricação de rédeas e todas as outras perícias que produzem instrumentos hípicos estão subordinadas à arte de montar a cavalo; enquanto esta, por sua vez, bem como toda a perícia da guerra estão subordinadas à estratégia militar (o mesmo se passa a respeito de outras perícias a respeito de outros fins) –, os fins das perícias superiores são preferíveis aos fins das perícias que lhes estão subordinadas, porque os fins destas são perseguidos em vista dos fins das primeiras. Por outro lado, não faz diferença nenhuma se os fins das ações são as atividades puras ou qualquer outra coisa para além delas, tal como acontece a respeito das ciências mencionadas.

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