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Medium 9788530965747

10. Gilperto da poesia

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF

GILPERTO DA POESIA

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Nominais foi para mim um desafio e um exercício simultaneamente sentimental e intelectual de desenigmatização do poético. Foi Platão quem primeiro afirmou ser a poesia um enigma. Entretanto, foi Adorno quem mais elaborou a teoria do enigma da obra de arte.

Esta é um enigma à procura de corajosos decifradores estéticos. Desde o Platão do Sofista sabemos que naqueles tempos o termo “ctética” designava a arte de tomar da natureza aquilo que ela oferece – como a “arte da caça e da pesca” –, e o termo “poética” significava a arte da fabricação daquilo que falta à natureza – não tendo, pois, qualquer limitação à arte da palavra tal como a estética moderna lhe atribuiu. Nominais de certa forma exerce em sentido moderno a arte de fabricar o que falta na “natureza” da palavra na sociedade contemporânea. Principalmente brasileira.

Não há, portanto, filosofia da arte sem enfrentamento do desconhecido proporcionado pela obra de arte. A coragem é a condição prévia absoluta do exercício filosófico. Desde o Sócrates da cicuta que a filosofia não é uma atividade para covardes. Filosofar implica assumir riscos: os de natureza psicológica, econômica, política, cultural, social, entre outros, como os de vida, ou de morte, como querem os franceses. O enfrenta-

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Medium 9788521610397

25. O JURO E O LUCRO DO EMPREENDEDOR

MARX, Karl Grupo Gen PDF

25. O JURO E O LUCRO DO EMPREENDEDOR*

O dinheiro – considerado aqui como expressão independente de um valor e quer essa exista efetivamente sob forma de dinheiro ou bem somente de mercadorias – pode, na produção capitalista, transformar-se em capital e tornar-se, assim, de valor dado em um valor em condições de se acrescer. Ele permite ao capitalista tirar dos operários e se apropriar de certa quantidade de trabalho não pago. Adquire assim um novo valor de uso, aquele de fornecer lucro. Nessa qualidade, torna-se mercadoria, mas uma mercadoria de um tipo especial.

Quem quer que disponha de 100 reais possui o poder de convertê-los em 120 (se a taxa média de lucro anual = 20%). Se ceder por um ano essa soma a alguém que o emprega efetivamente como capital, ele lhe transfere o poder de produzir 20 reais de lucro. Devolvendo ao proprietário, no fim do ano, por exemplo, cinco reais, isto é, uma parte do lucro produzido, o segundo não paga senão o valor de uso dos 100 reais, o valor de uso de funcionar como capital. Essa parte do lucro chama-se juro; o que não é senão um nome particular, uma rubrica especial para uma parte do lucro.

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Medium 9788530951016

IV – RESULTADOS DE LEITURA

ARTIÈRES, Philippe; BERT, Jean-François; GROS, Frédéric; REVEL, Judith Grupo Gen PDF

IV

Resultados de leitura

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Com Foucault com Roussel

Pierre Macherey

Como escolher, entre todos os livros de Foucault, o que me ofereceu “uma experiência de leitura forte”, como me propõem fazê-lo aqui? É uma das características, talvez, mais surpreendentes do trabalho de Foucault ter-se, de alguma forma, reinventado em todos os seus passos, como se ele marcasse a cada vez o nascimento de uma obra nova, que se basta completamente a ela mesma, e retoma em direções insuspeitas antecipadamente o interesse já despertado por suas etapas anteriores: todas as intervenções de Foucault foram, à sua maneira, “únicas”, o que impede levá-las a uma medida comum ou recolocá-las no âmbito de um percurso global perseguido do começo ao fim numa mesma linha, em que elas pudessem ser regularmente deduzidas umas das outras. Nesse embaraço, eu me decidi, de alguma forma por falha, a reiniciar uma reflexão a respeito do status da obra sobre Raymond Roussel,1 à qual eu já havia consagrado vários estudos,2 tendo o sentimento de ainda não ter terminado, e não ter identificado todas as razões que o tornam definitivamente inclassificável, tanto pela relação com o resto da produção teórica de Foucault – voltando a isso 20 anos mais tarde, e, em setembro de 1983, ele confessa: “É um livro à parte em minha obra”3 – quanto em relação ao gênero tradicional dos estudos consagrados a obras literárias.

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Medium 9788530935399

(23 = MP XVI 4d. MP XVII7. WII 7b. ZII1b. WII 6c. Outubro de 1888)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

(23 = MP XVI 4d. MP XVII7. WII 7b. ZII1b. WII 6c.

Outubro de 1888)

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Também um mandamento do amor aos homens. – Há casos nos quais gerar uma criança seria um crime: em doentes crônicos e neurastênicos de terceiro grau. O que se tem de fazer aí? – Pode-se tentar, de qualquer modo, incentivar tais homens

à castidade, por exemplo, com o auxílio da música de Parsifal: o próprio Parsifal, esse idiota típico, tinha pouquíssimas razões para procriar. O terrível é que certa incapacidade de se “dominar” (– de não reagir a estímulos, a estímulos sexuais, por menores que eles sejam) faz parte precisamente das consequências regulares do esgotamento conjunto. As pessoas errariam no cálculo se imaginassem, por exemplo, um Leopardi como casto.

O padre, o moralista jogam aí um jogo perdido; ainda se age melhor ao enviá-los para a farmácia. Por fim, a sociedade tem de cumprir aqui um dever: há poucas exigências de tal modo urgentes e principiais a serem feitas para eles. A sociedade, como grande mandatária da vida, tem de responsabilizar cada vida equivocada diante da própria vida – ela também precisa expiar por isto: consequentemente, ela deve impedir que isso aconteça.

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Medium 9788530965747

14. Enigma e contradição estética em Adorno

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF

ENIGMA E CONTRADIÇÃO ESTÉTICA

EM ADORNO

14

Para Olivier Revault d’Allonnes, in memoriam.

Enigma em Platão e Adorno

Platão descobriu o caráter enigmático da poesia, ainda que menos como arte individual humana que como uma expressão divina das Musas. A poesia

é uma resposta enigmática das Musas através do transe do poeta, como mania, a loucura ou delírio transitório derivado da mediação do poeta escolhido pelas

Musas. Nisso não haveria nenhum mérito pessoal do poeta, mero instrumento das Musas. Segundo Platão, o poeta fala por enigmas, como em Homero: “Somente, meu incomparável amigo, nosso poeta, tanto quanto os outros com pouca diferença, fala por enigma: com efeito, é um caráter natural por toda a poesia em bloco de ser enigmática; e não cabe ao primeiro qualquer um de compreender o que ela quer dizer! (c)” (O segundo

Alcebíades, 147b).1 No Hipias Maior, diálogo do jovem

Platão, a indagação sobre o enigma do Belo o conduz

à pergunta sobre a essência do Belo. A essência é um

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Medium 9788536325286

1. Filosofia como amor do destino

Haase, Ullrich Grupo A - Artmed PDF

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Filosofia como amor do destino

Seus educadores não podem ser nada além de seus libertadores. E esse

é o segredo de toda educação (...) ela é uma libertação, um retirar todas as ervas daninhas, detritos e vermes que ameaçam saborear as tenras sementes das plantas; ela é emanação de luz e calor, queda amorosa de chuva à noite, ela é emulação e adoração da natureza. (1/341)

O que é a filosofia? Podemos simplesmente presumir que a tarefa da filo­ sofia é representar o verdadeiro estado de coisas do mundo por meio de juízos afirmativos, positivos. Eles são positivos à medida que se diz o que uma coisa

é, em vez de se dizer o que uma coisa não é, e eles são afirmativos dado que silenciosamente se acrescenta que se acredita em sua verdade. Assim, quando alguém diz, por exemplo, “[eu creio que] a água ferve a 100º Celsius”, está dizendo com isso algo de verdadeiro acerca da água. Embora estender uma tal concepção a todas as várias questões da filosofia, quer elas sejam de natureza moral, investiguem a natureza do conhecimento ou afirmem a existência de

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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 17 - A GAIA CIÊNCIA

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

A GAIA CIÊNCIA

17

Primeiro Verão em Sils Maria

A publicação de Aurora quase coincidiu com a chegada de Nietzsche, em 4 julho de

1881, em Sils Maria, onde ele permaneceu até 1º de outubro. Esta estada estabeleceu um padrão para o resto de sua vida. Exceto em 1882, quando sua vida normal foi interrompida, como veremos, pelos acontecimentos traumáticos do “caso Salomé”, ele passou todos os anos, até seu colapso mental no final de 1888, os três meses de verão em Sils.

O pequeno vilarejo de Sils Maria situa-se entre o lago Sils e o lago Silverplana, na parte superior do vale do Engadine, a uma altura de 2 mil metros, com uma vista espetacular em todas as direções dos Alpes e do sopé do monte Corvatsch, a 10 minutos a pé do vilarejo. Nietzsche apaixonou-se à primeira vista por Sils: a grandiosidade da paisagem, a vida árdua e simples dos camponeses, a sombra pensativa das florestas, a água turquesa cristalina dos lagos, as trilhas para caminhadas ao redor deles, o silêncio tranquilo quebrado apenas pelos sinos das vacas e das igrejas e a sensação “metafísica” de estar acima e além das questões do mundo.

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Medium 9788530935399

(19 = MP XVII 6. MP XVI 4c. W II 9b. WII 6b. Setembro de 1888)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

(19 = MP XVII 6. MP XVI 4c. W II 9b. WII 6b.

Setembro de 1888)

19 (1)

<1.>

As pessoas me perguntam com frequência por que eu escrevo meus livros propriamente em alemão? Minha resposta a essa pergunta é sempre a mesma: eu adoro os alemães – cada um tem a sua pequena irrazão. O que me importa se os alemães não me leem? Tanto mais me esforço por ser justo com eles. – E, quem sabe? Talvez eles venham a me ler depois de amanhã.

2.

A nova Alemanha representa um grande quantum de capacidade herdada e aprendida: de tal modo que ela pode mesmo por um tempo gastar de maneira perdulária o tesouro acumulado de força. Não se trata de uma cultura elevada, que se assenhoreou dela, nem tampouco de um gosto delicado, de uma “beleza” nobre dos instintos; mas trata-se de virtudes mais viris do que é costume na

Europa se poder apresentar. Muito boa coragem e respeito perante si mesmo, muita segurança no comércio, na bilateralidade dos compromissos, muito esforço, muita duração – e uma moderação herdada que carece antes do aguilhão do que de uma trava. Acrescente nesse contexto o fato de que ainda se obedece aqui, sem que a obediência humilhe.... E ninguém despreza seu adversário...

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Medium 9788536325170

5. Teoria feminista pós‑colonialista:o embate retórico entre o “Oriente” e o “Ocidente”

Chanter, Tina Grupo A - Artmed PDF

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Teoria feminista pós­‑colonialista: o embate retórico entre o “Oriente” e o “Ocidente”

O objeto da teoria feminista pós­‑colonialista não é simples. Não só estão as feministas trabalhando em contextos pós­‑coloniais frequentemente encarregadas da responsabilidade, de alguma forma ou de outra, de suportar a carga de versões competitivas de nacionalismo; a história também interfere nas divisões entre o colonial e o pós­‑colonial. Tome­‑se a complicada posição de uma feminista do terceiro mundo que se situa em relação à

Índia, por exemplo. Identificar­‑se como alguém do sul da Ásia a fim de evitar os tons hegemônicos do nacionalismo não é meramente alinhar­‑se com

Bangladesh, Butão, Índia, Nepal, Paquistão e Sri Lanka. Conforme alerta

Bhattacharjee (1997), até mesmo o termo “sul­‑asiática” pode ser problemático quando usado para designar uma mulher indiana, já que a Índia – considerada a sua história – é, em alguns aspectos, imperialista em relação a seus vizinhos Paquistão e Bangladesh. Ou, em outro contexto, escrevendo no momento imediatamente anterior à entrega de Hong Kong à China, Rey

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Medium 9788530954369

Capítulo 4 – A Lei dos Irmãos

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF

Capítulo

4

A Lei dos Irmãos

Quam jucundum habitare fratres in unum.

Como é agradável viverem os irmãos em unidade.

Salmo 133 (132) 1

A RELAÇÃO DE PERTENÇA

Enquanto a experiência da vida quotidiana está aí, da forma mais conclusiva, é curioso constatar a recusa em considerar que se “conhecer [con-naître]” é antes de tudo, e em seu sentido estrito, nascer-com [naître-avec]. Se existe uma lei universal que rege o gênero humano, é que não se é aquele que se vê no espelho, mas, sim, aquele que se reconhece no olhar do Outro. É a alteridade que me faz existir. Trata-se aí de uma dessas banalidades que se teria algum escrúpulo em lembrar, se o conformismo lógico, a opinião intelectual, a correctness ambiente não nos forçassem a fazê-lo.

Lugar comum, portanto, com raízes profundas, que encontra uma inegável revivescência em nossos dias. O “primitivo” é sempre instrutivo quando se quer concordar, em profundidade, com o que é. É por isso que, além da plana, e bem usitada, bem usada “fraternidade”, convém voltar a

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Medium 9788530958978

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b. Outono de 1884 – Início de 1885)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b.

Outono de 1884 – Início de 1885]

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Que a Europa produza logo um grande estadista e que aqueles que se encontram aí agora, na era mesquinha da miopia plebeia, sendo festejados, se revelem em sua pequenez.

30 (2)

Para a primeira parte: introduzir minha avaliação na lógica, por exemplo, hipótese contra certeza etc.

30 (3)

Onde posso me sentir em casa? Esse é o lugar que há mais tempo procuro, essa busca permaneceu a minha busca constante por uma terra natal.

Para que se apaixonar por línguas feias porque nossas mães as falavam? Por que guardar rancor do vizinho se há tão pouco em mim e nos meus pais para amar!

30 (4)

1. Zaratustra

2. O vidente

3. O primeiro rei

4. O segundo rei

5. O mais feio dos homens

6. O consciencioso

7. O bom europeu

8. O mendigo voluntário

9. O velho papa

10. O terrível mágico

30 (5)

Nem sempre é prejudicial a uma era, quando ela não reconhece o seu grande espírito e não tem olhos para o espantoso

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Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 10 - CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS

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O ano de 1873 foi marcado por duas tensões na vida de Nietzsche. A primeira surgiu com a crise entre seu papel de professor de filologia clássica e seu interesse crescente pela filosofia, entre sua Beruf [profissão] e sua Berufung [vocação], como ele elegantemente descrevia.1 A segunda tensão, por sua vez, referiu-se ao seu compromisso total com o mundo no contexto do “Horizonte de Bayreuth” e de fazer tudo o que fosse possível pela causa de Bayreuth. Mas, por outro lado, havia a tendência progressiva de libertar-se da gigantesca sombra da personalidade e do intelecto de Wagner e de encontrar um lugar ao sol onde poderia desenvolver-se sozinho.

(O compositor Peter Cornelius, apesar da devoção absoluta a Wagner, vivenciava o mesmo problema.) Ele tentou resolver o primeiro destes dilemas ensinando e escrevendo textos clássicos suscetíveis a um tratamento filosófico. Embora nunca mais fosse publicar um livro dedicado ao texto clássico depois de 1872, ele escreveu um estudo importante, mas não publicado, sobre os filósofos gregos pré-platônicos,

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Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 6 - BASILEIA

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

BASILEIA

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Basileia em 1870

Nietzsche chegou à estação de trem de Basileia em 19 de abril de 1869 para assumir seu novo cargo na universidade. A cidade que o recebeu estava em um processo lento, e de alguma forma relutante, de abrir-se ao mundo moderno com a demolição da muralha medieval. Em 1844 a cidade construiu um portão que permitiu a conexão ferroviária com Estraburgo, a primeira linha ferroviária da Suíça. Porém, fechavam-no à noite por decisão do conselho administrativo da cidade, a fim de que os cidadãos não fossem incomodados pela vibração do movimento dos trens e, assim, que “pudessem dormir o sono dos justos”. Mais tarde, construíram mais portões ao longo dos 20 anos seguintes para proporcionar mais conexões ferroviárias, mas continuavam fechados à noite e eram controlados pela polícia durante o dia.

Entretanto, mesmo diante dos protestos dos pequenos negociantes que temiam que uma cidade aberta arruinasse seus negócios, a demolição total da muralha começou e só três portões foram preservados como monumentos medievais.

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Medium 9788530944063

[1 = N VII 2b. Outono de 1885 - Início do ano 1886]

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

[1 = N VII 2b. Outono de 1885 – Início do ano 1886]

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Deveria ter propriamente um círculo de homens profundos e sutis à minha volta, que me protegessem um pouco de mim mesmo e que também soubessem me divertir; pois, para alguém que pensa tais coisas, tal como eu as preciso pensar, o perigo de que ele mesmo se destrua sempre está à espreita.

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É possível que ninguém acredite no fato de se vir a saltar um dia inopinadamente e com os dois pés em tal estado resoluto da alma, cuja testemunha ou alegoria pode ser justamente o tão decantado canto de dança. Antes de se aprender a dançar em tal medida, é preciso que se tenha aprendido de maneira sólida a andar e a correr, e já conseguir se colocar sobre as próprias pernas

é algo, para o que, ao que me parece, sempre só poucos estão predeterminados. No tempo em que se ousa pela primeira vez confiar nos próprios membros e sem andadeiras e corrimões, nos tempos da primeira força juvenil e de todos os estímulos de uma primavera própria, se está maximamente em perigo e se anda com frequência de maneira tímida, desanimada, como alguém que se perdeu do caminho, com uma consciência trêmula e com uma desconfiança espantada ante seu caminho: – quando a jovem liberdade do espírito é como um vinho.

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Medium 9788530954369

Capítulo 8 – Ordo Amoris

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF

Capítulo

8

Ordo Amoris

Non intratur in veritatem, nisi per caritatem.

Não se entra na verdade, a não ser pela caridade.

Santo Agostinho

UM “SER AMOROSO” ILIMITADO

A palavra caritas, via real da verdade para Santo Agostinho, enfraqueceu-se. A não ser pelo fato de encontrar nas numerosas manifestações caritativas um vigor renovado. O de um elo social em que o amor tem seu lugar. Não se trata, é claro, de um amor que se pode reduzir à esfera privada. Nem de um amor que designa o sentimento experimentado por duas pessoas uma pela outra. O amor em questão, em seu sentido pleno, é um termo cômodo para designar uma ambiência geral na qual se elabora e se desenvolve uma maneira de estar-junto.

Maneira não necessariamente nova, mas que foi oculta, ou, no mínimo, marginalizada, será preciso ver por que, ao longo de toda a modernidade. E a ligação agostiniana entre verdade e caritas é oportuna, se concordarmos, na ótica fenomenológica, em reconhecer que “o próprio da verdade é

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