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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 27 - O FIM

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

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O FIM

A Clínica na Basileia

Em 11 de janeiro de 1889, Franz Overbeck informou ao outro único contato remanescente de Nietzsche, Heinrich Köselitz, que internara Nietzsche, ou para ser mais exato internei um fantasma, que só um amigo reconheceria, em uma clínica psiquiátrica na Basileia. Ele sofre de ilusões de grandeza infinita, mas também de outros delírios, e seu estado mental não tem esperança de recuperação. Eu nunca tive uma visão tão terrível de destruição.1

Ele entregou o amigo aos cuidados do Dr. Ludwig Wille, a quem Nietzsche reconheceu imediatamente. “Acho que já nos encontramos”, disse a Wille com a dignidade civilizada de um professor da Basileia, “porém, sinto muito ter esquecido seu nome. Você poderia...” “Wille, meu nome é Wille”, respondeu o médico. “Ah, sim, Wille”, concordou Nietzsche. “Você é psiquiatra. Há alguns anos tivemos uma conversa sobre a insanidade religiosa.”2 Embora sua lembrança estivesse correta,

Nietzsche não tinha a menor ideia de quem ele era nem o motivo de não saber.

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Medium 9788565848763

Capítulo 10 - Avaliação: o GPS do ensino

Claudio de Moura Castro Grupo A PDF

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Avaliação: o GPS do ensino

Houve momentos em que a avaliação de alunos era um tabu inexpugnável. Contudo, as assombrações foram vencidas e o país embarcou na mesma tendência que se disseminou pelo mundo afora. Ao fim e ao cabo, se não avaliamos não sabemos onde estamos nem para onde vamos. A boa notícia é que temos um sistema sofisticado e abrangente para avaliar alunos e instituições, em todos os níveis.

Medimos bem a ruindade da nossa educação

Com o desenvolvimento dos mecanismos de avaliação, passamos a ter excelentes termômetros para avaliar o nosso ensino. E o que mostram esses termômetros não é alvissareiro. Ficamos sabendo com confiança e precisão que nossa educação é muito ruim.

Estamos no pior dos mundos. Pais, alunos e professores encontram-se redondamente enganados na ideia generosa que fazem da nossa educação.

E isso, apesar da existência de indicadores altamente confiáveis para medir a sua qualidade. De resto, todos dão a mesma notícia: nossa educação é péssima. Mas estamos nos antecipando.

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Medium 9788530958978

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b. Outono de 1884 – Início de 1885)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b.

Outono de 1884 – Início de 1885]

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Que a Europa produza logo um grande estadista e que aqueles que se encontram aí agora, na era mesquinha da miopia plebeia, sendo festejados, se revelem em sua pequenez.

30 (2)

Para a primeira parte: introduzir minha avaliação na lógica, por exemplo, hipótese contra certeza etc.

30 (3)

Onde posso me sentir em casa? Esse é o lugar que há mais tempo procuro, essa busca permaneceu a minha busca constante por uma terra natal.

Para que se apaixonar por línguas feias porque nossas mães as falavam? Por que guardar rancor do vizinho se há tão pouco em mim e nos meus pais para amar!

30 (4)

1. Zaratustra

2. O vidente

3. O primeiro rei

4. O segundo rei

5. O mais feio dos homens

6. O consciencioso

7. O bom europeu

8. O mendigo voluntário

9. O velho papa

10. O terrível mágico

30 (5)

Nem sempre é prejudicial a uma era, quando ela não reconhece o seu grande espírito e não tem olhos para o espantoso

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Medium 9788530957735

Capítulo III - Do uso ao consumo: alienação e perda do mundo

CORREIA, Adriano Grupo Gen PDF

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DO USO AO CONSUMO: ALIENAÇÃO E

PERDA DO MUNDO

O fato é que uma sociedade de consumo não pode absolutamente saber como cuidar de um mundo e das coisas que pertencem de modo exclusivo ao espaço das aparências mundanas, visto que sua atitude central diante de todos os objetos, a atitude de consumo, condena à ruína tudo em que toca.1

Hannah Arendt

O círculo vicioso da economia moderna: consumimos para viver; produzimos para consumir; consumimos para produzir (desemprego); portanto, consumimos para consumir.2

Hannah Arendt

I

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este capítulo pretendo explicitar alguns aspectos fundamentais da crítica de Hannah Arendt à sociedade moderna, principalmente no que se refere ao que na modernidade teria configurado como condições determinantes para a perda do mundo: a corrosão da esfera pública e a diluição da distinção entre o público e o privado com a ascensão do

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H. Arendt, A crise na cultura, p. 264.

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Medium 9788530966058

CAPÍTULO IV: Saber (savoir = ça-voir/isto ver)

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF

Capítulo 4

SABER (SAVOIR =

ÇA-VOIR/ISTO VER)

O COMO: É ASSIM

Os deuses permanecem mudos!

Tu, fiques no entretanto e não perguntes por quê.

Goethe

Quão judiciosa é essa observação que se encontra, de uma maneira recorrente, na obra de Georg Simmel: é preciso saber identificar qual é o “rei secreto” do espírito para uma época.1 Ele está aí, e, no entanto, não o vemos.

Obnubilado que se é pelos valores instituídos; ao mesmo tempo, bem estabelecidos, e, contudo, tão frágeis que um acontecimento de pouca importância pode fazê-los desmoronar em um nada de tempo. É preciso, com efeito, “isto” ver [ça-voir = savoir/saber] o que está aí, mas que não se sabe, que não se quer, ver. É isso, que, com a ajuda do pensamento tradicional convém “inventar”.

1

G. Simmel, Philosophie de la modernité. Payot, 1990. p. 234.

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A ORDEM DAS COISAS

MICHEL MAFFESOLI

Para isso, há métodos experimentados, ainda que um pouco anômicos, para o saber estabelecido: a atitude compreensiva ou fenomenológica, a consideração a sério do imaginário social, ou ainda, ainda que o termo seja algo complicado, o que eu chamei o “formismo” sociológico.2 Ou seja, não procurar um por quê ilusório, uma causa explicativa, mas ater-se ao como das coisas.

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Medium 9788536325187

Justiça como posse de um direito

Iain Mackenzie Grupo A PDF

Política

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e Utopia da Anarquia foi a primeira da série de respostas famosas e influentes do espectro filosófico­‑político ao enfoque igualitário de Rawls da justiça social.

Justiça como posse de um direito

O princípio redistributivo de Rawls – o princípio da diferença – pressupõe que não seja culpa nossa a posição que ocupamos na sociedade, e que um indivíduo não deveria ser arbitrariamente prejudicado por algo que não é falta sua (daí a ideia de que todas as decisões sobre como repartir as vantagens da sociedade deveria beneficiar os desprivilegiados).

A teoria não menciona a necessidade de redistribuição, primordialmente a redistribuição de riqueza que as pessoas já possuem. Essa redistribuição envolveria tomar alguma coisa que pertence a alguém e dar isso a outrem.

Parece haver razão em afirmar, com Nozik, que isso viola a liberdade dos indivíduos de dispor de sua riqueza por razões quaisquer que queiram, e não com base em alguma concepção impulsionada pela meta espúria de

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Medium 9788536313696

14. A Filosofia como Terapia

Carel, Havi Grupo A PDF

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

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A FILOSOFIA

COMO TERAPIA1

David J. Rosner

Introdução

A idéia da filosofia como terapia será o assunto deste capítulo. Essa concepção de filosofia originou-se com os gregos, mais fundamentalmente com as escolas helênicas de filosofia (por exemplo, os estóicos e os epicuristas ). Esses pensadores consideravam que o propósito fundamental da filosofia era o de sustentar a paz interior e a tranqüilidade em um mundo que nos confunde e é com freqüência caótico. Essa não é a concepção predominante de filosofia na América do Norte ou na Grã-Bretanha de hoje, que têm sido em geral dominadas pelo movimento “analítico” .

A filosofia analítica tem estado fundamentalmente preocupada com o estudo da lógica e da linguagem (e, assim, com freqüência é técnica e afastada das preocupações das pessoas comuns). Mas nos últimos tempos surgiu uma tradição nova (embora na verdade seja antiga), chamada aconselhamento filosófico clínico, por meio da qual a filosofia está novamente sendo definida como um empreendimento terapêutico. Será que a filosofia pode ser explorada como uma fonte de insight com os quais se possa tratar pessoas que estão confusas ou infelizes? Este ensaio argumentará que, dadas certas definições e condições, a filosofia certamente tem o potencial para ser efetivamente usada em um ambiente terapêutico.

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Medium 9788530965747

13. Ontoestética do idoso

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF

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ONTOESTÉTICA DO IDOSO

A Miguel Reale

Introdução

A contemporaneidade assiste a uma verdadeira revolução relativamente à história cultural das mentalidades no que concerne à dignificação das diversas etapas da vida humana, da infância à velhice. Durante milênios a humanidade conviveu com inúmeras formas culturais e sociais de preconceito, discriminação e hostilização generalizadas, sem que isso causasse constrangimentos éticos às culturas e às civilizações. Gradativa e lentamente, a humanidade foi integrando a todos no corpo da sociedade, e a nossa época foi a que mais honrou as muitas etapas da vida, apesar de encontrarmos ainda muitos obstáculos a uma humanização completa dessas relações internas da sociedade quanto ao convívio das diversas camadas etárias que a compõem. A contemporaneidade procura cada vez mais acentuar as singularidades das etapas da vida humana, concedendo a cada uma delas um estatuto social dignificado.

Ao abordar os aspectos filosóficos que cercam a problemática do idoso, inevitavelmente somos levados

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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 23 - A GENEALOGIA DA MORAL

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

A GENEALOGIA DA MORAL

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Parsifal, Dostoievski e um Terremoto “Bem-Intencionado”

O ano de 1887 começou com um frio intenso: a “Europa”, escreveu Nietzsche a

Elizabeth, no calor opressivo do Paraguai, “transformou-se em uma montanha de neve e em um urso polar”. Embora não houvesse neve em Nice, as colinas ao seu redor estavam cobertas de neve.1 Apesar do novo quarto com vista para o sul na Rue des Ponchettes (p. 535-536), seu problema de “cianose” persistiu, assim como um agravamento em sua saúde e em seu estado de espírito, um efeito cumulativo, ele pensou, de dois meses de frio e chuva.2 No entanto, no final de janeiro seu ânimo melhorou em razão de uma viagem inesperada: a ida a Monte Carlo para assistir o prelúdio de Parsifal. “Deixando de lado a questão do uso dessa música e observando-a do ponto de vista puramente estético”, ele escreveu a Köselitz,

Wagner compôs algo melhor? A percepção psicológica profunda e a precisão referente ao que deveria ser dito, expresso, transmitido, as formas mais curtas e diretas, cada nuance de sentimento reduzida a epigramas: a clareza da música como uma arte descritiva... e um sentimento sublime e extraordinário, a experiência memorável da alma no cerne da música que homenageia Wagner no mais alto grau.3

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Medium 9788530935399

(23 = MP XVI 4d. MP XVII7. WII 7b. ZII1b. WII 6c. Outubro de 1888)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

(23 = MP XVI 4d. MP XVII7. WII 7b. ZII1b. WII 6c.

Outubro de 1888)

23 (1)

Também um mandamento do amor aos homens. – Há casos nos quais gerar uma criança seria um crime: em doentes crônicos e neurastênicos de terceiro grau. O que se tem de fazer aí? – Pode-se tentar, de qualquer modo, incentivar tais homens

à castidade, por exemplo, com o auxílio da música de Parsifal: o próprio Parsifal, esse idiota típico, tinha pouquíssimas razões para procriar. O terrível é que certa incapacidade de se “dominar” (– de não reagir a estímulos, a estímulos sexuais, por menores que eles sejam) faz parte precisamente das consequências regulares do esgotamento conjunto. As pessoas errariam no cálculo se imaginassem, por exemplo, um Leopardi como casto.

O padre, o moralista jogam aí um jogo perdido; ainda se age melhor ao enviá-los para a farmácia. Por fim, a sociedade tem de cumprir aqui um dever: há poucas exigências de tal modo urgentes e principiais a serem feitas para eles. A sociedade, como grande mandatária da vida, tem de responsabilizar cada vida equivocada diante da própria vida – ela também precisa expiar por isto: consequentemente, ela deve impedir que isso aconteça.

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Medium 9788536325187

Intersubjetividade e a política do reconhecimento

Iain Mackenzie Grupo A PDF

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Iain Mackenzie

dos elementos que expressam necessidades humanas fundamentais e que poderia, portanto, enriquecer a nossa própria. Confrontando a questão de quais características do mundo poderiam garantir a base desse respeito igual, Taylor declara:

... no nível humano, poder­‑se­‑ia argumentar que é razoável supor que as culturas que têm proporcionado o horizonte de sentido para grande número de seres humanos, de caracteres e temperamentos distintos, ao longo de um largo período de tempo – que tenham, em outras palavras, articulado sua apreciação do bom, do santo, do admirável – com toda certeza terão alguma coisa que mereça nossa admiração e respeito, mesmo que seja acompanhada de muita coisa que precisamos reprovar e rejeitar. Talvez se possa dizer de outra maneira: seria extrema arrogância descartar a priori essa possibilidade. (1994: 72­‑3)

Reconhecer isso e cooperar com outros à base da fusão dos nossos horizontes culturais com os deles, de acordo com Taylor, é promover um diálogo verdadeiramente liberal com os outros, o qual corresponde às exigências da política contemporânea da identidade. Dito isso, parece acertado perguntar se a esperança de Taylor da fusão dos horizontes culturais é apenas isso, uma esperança, em vez de ser uma elaborada solução política de um problema central das democracias liberais. Pode ser que a descrição mais detalhada de Habermas do que exatamente está em jogo no diálogo possa sugerir um enfoque alternativo, ou complementar, que mesmo assim estabeleça com maior firmeza a esperança de Taylor.

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Medium 9788536325170

2. Feminismo e marxismo: a utilidade e as limitações dos modelos paralelos

Chanter, Tina Grupo A PDF

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Feminismo e marxismo: a utilidade e as limitações dos modelos paralelos

Conforme Marx compreendeu em sua análise da alienação e do fetichismo da mercadoria, as relações sociais parecem ser governadas por forças estáticas e implacáveis. As relações entre os seres humanos assumem a aparência de relações entre coisas – elas se tornam reificadas. O capital parece governar essas relações, que assumem a aparência de fixidez e de necessidade. Somente quando surge uma nova forma de produção poderá a autoridade das mercadorias ser posta em questão. O gênio do capitalismo está na sua capacidade de reproduzir­‑se não meramente em nível material, mas também em nível ideológico. Se Louis Althusser analisou as formas como a ideologia se reproduz em nível institucional, na forma de religião, educação e família, Antonio Gramsci enfatizou o quanto aquilo que parece ser senso comum das ideias recebidas (por exemplo, a ideia de que o feminismo deve tratar da igualdade) de fato deriva da ideologia dominante de quem está no poder. Nosso consentimento em relação a essas ideias é produzido pelos interesses prevalentes da classe governante – para adaptar a formulação de Noam Chomsky – ou, por exemplo, por quem ocupa posições de elite em relação à teoria feminista. Tipicamente, as mulheres brancas e privilegiadas definem os termos do debate feminista e, consequentemente, têm podido ignorar formas de desigualdade social ditadas pela opressão de classe e pela discriminação racial. Essa relação hegemônica com o que é aceito como feminista, e com o que é rejeitado como tal, perpetua a marginalização de quem tradicionalmente desempenha papéis menos privilegiados.

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Medium 9788536317175

2. Descoberta

Steven French Grupo A PDF

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Steven French

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Descoberta

Quando as pessoas pensam nos cientistas, elas normalmente pensam em um homem (tipicamente) vestido com um jaleco branco; e quando pensam no que os cientistas fazem, elas geralmente os imaginam fazendo grandes descobertas, pelas quais poderiam receber o Prêmio Nobel. A descoberta – de algum fato, de alguma explicação para um fenômeno, de alguma teoria ou hipótese – é vista como estando no centro da prática científica. Desse modo, a questão fundamental que procuraremos responder neste capítulo é: como são descobertas as teorias, as hipóteses, enfim, os modelos científicos? Comecemos com uma resposta bastante comum e bem-conhecida.

A VISÃO COMUM: O MOMENTO EURECA

Nos quadrinhos, a criatividade é muitas vezes representada por uma lâmpada sobre a cabeça do herói. Supõe-se que represente o lampejo da inspiração. De modo semelhante, as descobertas científicas são geralmente caracterizadas como algo que ocorre de repente, em um dramático momento criativo da imaginação, um lampejo de visão ou uma experiência do tipo “aha!”.

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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 24 - 1888

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

1888

24

Inverno em Nice

O ano de 1888 começou, como o ano anterior terminara, com o tempo frio. Sentado em seu quarto na Pension de Genève, redecorado por sua escolha com um papel de parede com um tom marrom avermelhado escuro, Nietzsche achou o aquecedor importado de Naumburg “perfeito” para prevenir seu problema de cianose. Sentado

à grande escrivaninha, ele começou a escrever um trabalho sério destinado a ser a principal obra de sua vida, a produção de sua “obra-prima sistematizada”,1A Vontade de Poder, da qual todos os seus livros anteriores haviam sido meros prólogos. O livro teria quatro volumes de um “extremo rigor”2 intelectual, que proporcionaria uma base e uma exposição sinóptica de sua filosofia inteira. Em 13 de fevereiro, ele terminou o primeiro plano detalhado (agora com o título de “Tentativa de Transvaloração de todos os Valores”). Mas, apesar de continuar a trabalhar com regularidade, ele teve crises de diarreia e insônia, com seu estado de ânimo agravado pelo frio e mais abatido ainda por não ter ganhado o prêmio de 50 milhões de francos na loteria de Nice.

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Medium 9788521610397

3. VALOR DE USO E VALOR DE TROCA – O TRABALHO SOCIALMENTE NECESSÁRIO

MARX, Karl Grupo Gen PDF

3. VALOR DE USO E VALOR DE TROCA – O

TRABALHO SOCIALMENTE NECESSÁRIO*

A mercadoria é de início um objeto externo, uma coisa que satisfaz para seus proprietários uma necessidade humana qualquer. Toda a coisa útil, tal como o ferro, o papel etc., deve ser considerada sob um duplo aspecto: a qualidade e a quantidade.

Cada uma é um conjunto de qualidades numerosas e pode ser útil

às mais diversas finalidades. É a utilidade de uma coisa que lhe dá um valor de uso. Mas essa utilidade não surge no ar. É determinada pelas propriedades físicas das mercadorias e não existe sem isso. A mercadoria em si, tal como o ferro, o trigo, o diamante etc., é, pois, um valor de uso, um bem.

O valor de troca aparece de início como a relação quantitativa pela qual os valores de uso de uma espécie se trocam pelos valores de uso de outra. Uma quantidade tal de mercadoria troca-se regularmente por outra tal quantidade de outra mercadoria: é seu valor de troca – relação que varia com tempo e lugar. O valor de troca parece, pois, ser alguma coisa acidental e puramente relativa, isto é (como escrevia Condillac), parece “residir unicamente na relação das mercadorias com nossas necessidades”. Um valor de troca imanente, intrínseco, à mercadoria parece ser então uma contradição. Examinemos a coisa mais de perto.

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