455 capítulos
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788520431528

Introdução

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF

I ntrodução

O que é a Filosofia Contemporânea?

Três novos saberes

Do início da guerra de Platão contra Homero até o romantismo de Hegel, ainda que com altos e baixos, a filosofia nunca deixou de gozar de prestígio no mundo intelectual Ocidental. Durante 25 séculos, a figura do filósofo jamais saiu da condição de sinônimo do grande pensador. Eis, então, que chegou o século XIX e, nessa época, a filosofia conheceu, pela primeira vez, um concorrente realmente à altura, a ciência moderna.

O século XIX caracterizou-se como um tempo de euforia com a ciência e de desprezo pela filosofia. Ao seu final, alguns cientistas chegaram a pensar e, mais ousadamente, a dizer, em alto e bom som, que não havia nada mais a ser descoberto pela ciência. A própria confiança na ciência mostrava uma incompreensão de sua natureza como busca contínua de melhores modelos explicativos.

Quando observado do alto, esse período pode ser visto como o tempo do positivismo, a doutrina que colocou a filosofia em posição de caudatária da ciên­cia. O positivismo foi uma criação francesa. Auguste Comte

Ver todos os capítulos
Medium 9788530944063

[7 = Mp XVII 3b. Final de 1886 - Primavera de 1887]

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

[7 = Mp XVII 3b. Final de 1886 – Primavera de 1887]

(Primeiro livro: “o que é a verdade?”)

(Primeiro capítulo. Psicologia do erro)

7 (1)

Psicologia do erro.

Desde os primórdios, nós estabelecemos o valor de uma ação, de um caráter, de uma existência na intenção, na finalidade em virtude da qual ela foi feita, realizada, vivida: essa idiossincrasia arcaico-originária do gosto toma finalmente uma virada perigosa – supondo justamente que a ausência de intenção e de finalidade do acontecimento ganhe cada vez mais o primeiro plano. Com isso, parece se preparar uma desvalorização geral:

“tudo não possui nenhum sentido” – essa sentença melancólica significa “todo sentido reside na intenção, e, supondo que falte completamente a intenção, então também falta completamente o sentido”. De acordo com aquela avaliação, as pessoas se sentiram obrigadas a transpor o valor da vida para uma “vida depois da morte”; ou para o desenvolvimento progressivo das ideias ou da humanidade ou do povo ou para além do homem; com isso, porém, se chegou ao progresso da finalidade em direção ao infinito, as pessoas finalmente sentiram a necessidade de assumir um lugar no “processo do mundo” (com a perspectiva disdemonista talvez de que se trata do processo em direção ao nada).

Ver todos os capítulos
Medium 9788502108035

2. Economia – críticas à Análise Econômica do Direito

Macedo Júnior, Ronaldo Porto Editora Saraiva PDF

Direito e Interpretação

Direito em Debate

317

concepção de consentimento conforme entendido pela abordagem descontínua. Em outras palavras, com a teoria dos contratos relacionais, ocorreu uma mudança formal, por meio da qual somos provocados a repensar certas categorias como intenção, aceitação e consentimento. Mostrarei, a seguir, como algumas categorias da filosofia aristotélica podem ser úteis para este propósito em contraste a algumas premissas difundidas pela Análise Econômica do Direito. Antes, porém, cabe determinar com maior clareza quais são os pressupostos e premissas que estou criticando.

2. Economia – críticas à Análise Econômica do Direito

Hoje, a Análise Econômica do Direito mantém-se como um dos mais poderosos movimentos intelectuais no ramo do Direito, gerando um forte impacto na teoria dos contratos. A Teoria dos Contratos

Relacionais não só rompe com certas ideias advindas da teoria clássica, no que diz respeito às fontes de obrigações e à formação do consentimento, como também diverge em relação às considerações formuladas pela Análise Econômica do Direito22.

Ver todos os capítulos
Medium 9788502073265

3. Contribuições recentes à Epistemologia Jurídica

Hesse, Konrad Editora Saraiva PDF

3

Contribuições recentes à

Epistemologia Jurídica

3.1. Iniciemos a presente revisão do pensamento epistemológico-jurídico com o que sugerimos chamar “modelo DreierAlexy”, já que abordaremos uma concepção esboçada pelos professores nas universidades alemãs de Göttingen e Kiel, Ralf Dreier e Robert Alexy132, respectivamente. Este último, que pode muito bem ser tido como discípulo do primeiro, denomina sua concepção

“tese da tridimensionalidade” (Dreidimensionalitätsthese)133, que evitaremos para não confundi-la com a tridimensionalidade de

Reale.

Alexy desenvolve sua hipótese de trabalho procurando esclarecer como se constituiria uma teoria (= ciência) jurídica e dogmática ocupada com determinada ordem jurídica positiva. Considerando tal teoria como aquilo que efetivamente se pratica sob o nome de “ciência jurídica em sentido estrito”, “jurisprudência” ou

“dogmática jurídica”, o autor em apreço distingue três dimensões de estudos desenvolvidos no âmbito dessa disciplina: uma dimensão analítica, outra empírica e uma terceira normativa. Vejamos as tarefas atribuídas a cada uma delas.

Ver todos os capítulos
Medium 9788502046337

5. HERMENÊUTICA

Bôas Filho, Orlando Villas Editora Saraiva PDF

5. HERMENÊUTICA

5.1. Hermenêutica geral

5.1.1. Conceito e caracterização histórica

PALMER avalia que “o diálogo, e não a dissecação, abre o universo de uma obra literária”131. Essa frase, apesar de reduzir o “universo” apenas para o diálogo, é excelente crítica ao modelo que se tornou dominante na arte da interpretação: a imagem do cientista que isola o objeto para ver como ele é feito. Para interpretar não é suficiente seguir tão-só métodos científicos preestabelecidos, mas sim compreender humanisticamente o que significa interpretar uma obra.

É interessante buscar o significado primeiro da palavra

“hermenêutica”, que, levada até a sua raiz grega mais antiga, sugere o processo de “tornar compreensível”, especialmente quando tal processo envolve a linguagem, haja vista que essa

é o meio por excelência nesse processo. Deriva tal constatação de HERMES, que, segundo a mitologia grega, era o responsável por transmitir, dizer, explicar, traduzir as mensagens dos deuses para os homens132. A hermenêutica é a filosofia que permite buscar instrumentos que facilitam a arte de compreender, de interpretar, de traduzir de maneira clara signos ini131

Ver todos os capítulos
Medium 9788502026124

VI. REFLEXÕES DIDÁTICAS PRELIMINARES À TRIDIMENSIONALIDADE DINÂMICA NA “FILOSOFIA DO DIREITO”

Czerna, Renato Cirell Editora Saraiva PDF

VI

REFLEXÕES DIDÁTICAS PRELIMINARES À

TRIDIMENSIONALIDADE DINÂMICA NA

“FILOSOFIA DO DIREITO”*

Sumário: 1. O problema dos pressupostos metodológicos e a ontognosiologia. 2. O elemento crítico-transcendental. 3. O sentido da historicidade e os valores. 4. A dialética funcional.

1. O problema dos pressupostos metodológicos e a ontognosiologia

A compreensão da realidade jurídica como um processo inter1 funcional de fatos, valores e normas resulta, na posição de Miguel

Reale, numa tridimensionalidade dinâmica extremamente diferente das outras principais doutrinas jurídicas tridimensionais.

Diríamos que, fiel ao senso de unidade e à exigência de rigor metodológico, característicos do culturalismo de origem neokantiana, e que informou, de início, seu próprio criticismo, o jusfilósofo patrício

* Publicado na coletânea Estudos em homenagem a Miguel Reale, organizada por Teófilo Cavalcanti Filho, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1977, com a seguinte nota: “Cf. Miguel Reale, Filosofia do Direito, 5ª ed., São Paulo, Saraiva, 1969.

Ver todos os capítulos
Medium 9788530939205

Parte II. Capítulo 2. A Linguagem do Cálculo de Predicados e sua Interpretação

HEGENBERG, Leônidas Grupo Gen PDF

Capítulo 2

^

A Linguagem do Cálculo de Predicados e sua

Interpretação

Sumário

Conhecida, de modo intuitivo, a linguagem do cálculo de predicados, as noções serão agora reapresentadas de modo geral e abstrato.

A fim de dar sentido preciso à noção de sentença verdadeira, fala-se nas interpretações e se define “sentença verdadeira em uma interpretação”. Em correspondência, tem-se a noção de um aberto “satisfeito” por determinados objetos. A satisfatoriedade é objeto de exame no final do capítulo. A maioria dos teoremas é citada sem demonstração, esperando-se que o leitor possa compreender seu alcance, embora não os demonstre. Prepara-se o terreno para introduzir, em seguida, a noção de “verdade lógica”, a ser investigada no próximo capítulo.

2.1. Símbolos, fórmulas e sentenças

Apresentando a questão de modo geral, pretendemos falar dos objetos de um conjunto A, não vazio, com certos elementos especificados, a1, a2, etc., entre os quais se estabelecem certas relações R1, R2, etc.

Ver todos os capítulos
Medium 9788530934699

PARTE DOIS - 12 - AUF WIEDERSEHEN BAYREUTH

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

AUF WIEDERSEHEN BAYREUTH

12

Ao chegar à Basileia em 4 de janeiro de 1875, Nietzsche sentiu-se mais oprimido do que nunca com a quantidade de trabalho que teria de enfrentar. Além das obrigações na universidade e no ensino no Pädegogium, ele irrefletidamente prometera a

Schmeitzner escrever mais 10 Considerações Extemporâneas nos cinco anos seguintes. Mas este trabalho “real” de redimir a “alma” da época só poderia ser realizado, como contou a Von Bülow, nas férias e nos períodos de dispensa por motivo de saúde. “Graças a Deus”, escreveu, com a falsa expectativa de que sua doença crônica, independente do problema de visão, no momento “não havia sinal de doença à vista, e com os banhos frios que tomara todos os dias era bastante improvável que eu adoecesse de novo”.1Isso foi em janeiro! Assim como seu alter ego, Zaratustra,

Elizabeth comentou, Nietzsche gostava de “zombar do inverno”.2 Para Malwida von

Meysenbug, ele escreveu que tinha tantos deveres profissionais, que os dias transcorriam com uma sensação de “entorpecimento”. Ele invejava os mortos, escreveu, mas decidira envelhecer a fim de concluir sua “tarefa”.3

Ver todos os capítulos
Medium 9788530935399

(16 = WII 7a Início do ano – Verão de 1888)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

(16 = WII 7a Início do ano – Verão de 1888)

Turim, 21 de abril, a caminho.

16 (1)

“Meus irmãos” – disse o anão mais velho – “nós nos encontramos em perigo. Compreendo a atitude deste gigante. Ele está a ponto de nos irrigar. Quando um gigante irriga, há uma inundação.

Nós estamos perdidos, se ele se propuser a nos irrigar. E não estou falando sobre em que elemento terrível nós iremos nos afogar”.

“Problema” – disse o segundo anão – “como é que impedimos um gigante de realizar uma irrigação?”

“Problema” – disse o terceiro anão – “como é que impedimos alguém grande de fazer grandiosamente algo grande?”

“Agradeço” – respondeu o anão mais velho, honrosamente. “Com isso, o problema foi considerado de maneira mais filosófica, seu interesse foi duplicado; sua solução, preparada.”

“Precisamos assustá-lo” – disse o quarto anão.

“Precisamos fazer cócegas nele” – disse o quinto anão.

“Precisamos morder os 10 dedos de seus pés” – disse o sexto anão.

Ver todos os capítulos
Medium 9788530966058

CAPÍTULO VIII: O pensar apaixonado

MAFFESOLI, Michel Grupo Gen PDF

Capítulo 8

O PENSAR APAIXONADO

Eu tenho esse dom de juntar, no mesmo instante, dois estados tão diferentes, tão opostos, como a paixão e a lucidez; a febre, o delírio do lirismo interior, e a fria razão...

André Gide

O DIONISISMO EPISTEMOLÓGICO

Há tarefas nas quais uma meticulosa desordem é o único verdadeiro método.

Herman Melville, Moby dick

Torna-se cada vez mais evidente que a verdade da razão é segunda em relação à verdade dos fatos. Aquela repousando sobre a priori, esta intervindo, antes, a posteriori, parece, empiricamente, mais judicioso para dar crédito a esta última. E isso, tão simplesmente, porque o Real, em sua essencial imprevisibilidade, nos lembra que é preciso saber ajustar-se ao que é, antes do que pos-

a_ordem_das_coisas.indd 225

03/05/2016 17:04:48

226

A ORDEM DAS COISAS

MICHEL MAFFESOLI

tular, de uma maneira encantatória, o que se gostaria que fosse. É a razão pela qual o intelectualismo teoricista se torna cada vez mais inoperante, o que o conduz, aliás, a ser o mais dogmático possível. Tanto é verdade que, quando uma forma de pensamento não está mais em acordo com seu tempo, ela tende a tornar-se uma fórmula que serve para tudo. Tagarelice compreensível só pela tribo que emitiu seus códigos.

Ver todos os capítulos
Medium 9788502108035

1. Introdução

Macedo Júnior, Ronaldo Porto Editora Saraiva PDF

O direito fracassado da América Latina*

Jorge L. Esquirol1

Eu pessoalmente acredito que é muito bom para uma nação possuir uma firme convicção acerca de seu valor; mas ela deveria ter a decência e os bons modos para manter essa convicção para si mesma. Nós não tivemos. Nós mostramos isso constantemente e sinto dizer que por vezes ainda o fazemos.

(Theodore Roosevelt, 1933)

1. Introdução

O Direito na América Latina fracassa em diversos aspectos. Numerosos estudos e relatos acadêmicos confirmam isso. O Direito estatal na região parece na maioria das vezes ineficaz e inapropriado; os judiciários nacionais são vistos como ineficientes e corruptos; e o

Estado de Direito e a sua aplicação parecem praticamente inexistentes. Esse tem sido o pano de fundo comum aos projetos de reforma do Direito ao longo dos últimos cinquenta anos de assistência internacional ao desenvolvimento da região, o período conhecido como

“Direito e Desenvolvimento” patrocinado principalmente pelos Esta-

*

1

Tradução de Carla Henriete Bevilacqua Piccolo. Versão em português revisada pelo próprio autor.

Ver todos os capítulos
Medium 9788502181083

Capítulo IX - Pensamento jurídico

Zippelius, Reinhold Editora Saraiva PDF

Capítulo

IX

Pensamento jurídico

Se aqui se vai tratar em poucas páginas do pensamento jurídico, não se pode deste modo ter em vista abordar toda a extensão daqueles temas que são objecto da metodologia jurídica e especialmente da lógica. Pelo contrário, apenas irá ser retomada a importante questão jurídico-filosófica de se saber em que medida o pensamento jurídico será um pensamento conceptual-dedutivo e em que medida será de outra natureza, quer dizer, um pensamento que procura soluções para problemas concretos, servindo-se para isso de técnicas próprias da tomada em consideração, da comparação e da ponderação.

§ 38. Pensamento conceptual-sistemático

Bibliografia: K. G. Wurzel, Das juristische Denken, 1904 (também in: id., Rechtswissenschaft als Sozialwissenschaft, 1991); G. Radbruch, “Rechtswissenschaft als Rechtsschöpfung“, in: Archiv f. Sozialwiss. und

Sozialpolitik, 1906, pág. 355 e segs.; G. Boehmer, Grundlagen der bürgerlichen Rechtsordnung, II 1, 1951, pág. 59 e segs., pág. 158 e segs., 190 e

Ver todos os capítulos
Medium 9788530965747

3. Elementos da estética de Leibniz e o intelectualismo estético alemão do século XVIII

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF

ELEMENTOS DA ESTÉTICA DE

LEIBNIZ E O INTELECTUALISMO...

ESTÉTICO ALEMÃO DO SÉCULO XVIII

3

“Nem a contradição é marca de erro, nem a não contradição

é marca da verdade”. (Pascal, Pensées, 1670)

O intelectualismo estético de Leibniz é uma das manifestações do racionalismo estético em voga na Europa do século XVIII, cujo modelo é o cartesianismo estético, indo até mesmo alcançar adeptos na Itália com

Gravina (1664-1718), em “La Ragion Poetica”,1 ou na

Suíça, com Bodmer (1698-1783) e Breitinger (17011776), passando por Gottsched (1700-1766), na Alemanha. Esta compreende Leibniz (1646-1716), Gottsched e os suíços Bodmer e Breitinger, Wolff (1679-1754),

Baumgarten (1714-1762), Winckelmann (1717-1768),

Sulzer (1720-1779), Kant (1724-1804), Mendelssohn

(1729-1786), Lessing (1729-1781), Goethe (17491832), Schiller (1759-1805), Schelling (1775-1854), entre outros filósofos, poetas e artistas.

A estética de Leibniz não segue as mesmas tendências de Shaftesbury e Diderot. Sua estética abre cami-

Ver todos os capítulos
Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 22 - A PREPARAÇÃO

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

A PREPARAÇÃO

22

Quinto Verão em Sils Maria

Além do Bem e do Mal foi publicado quando Nietzsche passava mais uma temporada de verão em Sils Maria. Ele chegou em 30 de junho de 1886 com planos de estender sua estada, como sempre, até o final de setembro. Embora agora o lugar tivesse um movimento grande de turistas de classe média, o que lhe desagradava, em agosto chegaram 10 professores a Sils para seu desprazer ainda maior, sendo que quatro, com ele inclusive, ficaram hospedados na casa Durish. Mas era preciso suportar a presença deles em razão do “inverno permanente e suave” que ele acreditava ser benéfico para sua saúde (uma “agradável cura climática”, poderíamos dizer).

Como companhia ele tinha seu círculo habitual de mulheres, as duas Emily Fynn, a condessa Mansuroff e a mais intelectualizada Helen Zimmern. Meta von Salis fez uma visita de dois dias a Sils acompanhada da mãe e de uma amiga (e amante)

Hedwig Kym. Ao sentar-se à mesa da sala de jantar junto com outros hóspedes, lembra-se Meta,

Ver todos os capítulos
Medium 9788530958978

[33 = Z II 10. Inverno de 1884-1885]

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

[33 = Z II 10. Inverno de 1884-1885]

33 (1)

A boa ceia

Estávamos na metade desta longa ceia que já tinha começado

à tarde. Neste momento, alguém disse: “Ouvi como o vento lá fora zune e apita! Quem é que gostaria de estar agora lá fora no mundo!

É bom que nós estejamos sentados na caverna de Zaratustra.

Pois, por mais que ela seja uma caverna, para navios como nós somos, ela é de qualquer modo um bom porto. Que bom que nós estejamos aqui – no porto!”

Quando essas palavras foram ditas, ninguém respondeu, todos, porém, se entreolharam. O próprio Zaratustra, contudo, levantou-se de seu assento, colocou seus hóspedes à prova um depois do outro com uma curiosidade afável e falou finalmente:

“Eu me espanto convosco, meus novos amigos. Vós não tendes a aparência de homens desesperados. Quem poderia acreditar que vós estivestes há tão pouco tempo nessa caverna gritando com desespero!

Parece-me que vós não prestais para a sociedade, vós estragais o humor uns dos outros, quando vós vos sentais juntos? É preciso que haja alguém entre vós que vos faça rir –

Ver todos os capítulos

Carregar mais