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Medium 9788536311203

1. Princípios básicos da terapia cognitivo-comportamental

Wright, Jesse H. Grupo A - Artmed PDF

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Princípios básicos da terapia cognitivo-comportamental

A

prática clínica da terapia cognitivo-comportamental (TCC) baseia-se em um conjunto de teorias bem-desenvolvidas que são usadas para formular planos de tratamento e orientar as ações do terapeuta. Este capítulo inicial tem o foco na explicação desses conceitos centrais e ilustra como o modelo cognitivo-comportamental básico influenciou o desenvolvimento de técnicas específicas. Começamos com uma breve visão do histórico da TCC. Os princípios fundamentais da TCC foram ligados a idéias que foram descritas pela primeira vez há milhares de anos (Beck et al., 1979; D. A.

Clark et al., 1999).

ORIGENS DA TCC

A TCC é uma abordagem de senso comum que se baseia em dois princípios centrais:

1. nossas cognições têm uma influência controladora sobre nossas emoções e comportamento; e

2. o modo como agimos ou nos comportamos pode afetar profundamente nossos padrões de pensamento e nossas emoções.

Os elementos cognitivos dessa perspectiva foram reconhecidos pelos filósofos estóicos

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Medium 9788536326955

25. Psicoterapia e metáfora: aspectos lúdicos em tratamento de adultos

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A - Artmed PDF

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Psicoterapia e metáfora

Aspectos lúdicos em tratamento de adultos

Maria Leonor Espinosa Enéas

E

ste capítulo surgiu da reflexão sobre a prática da psicoterapia e a supervisão dessa prática junto a colegas iniciantes. Portanto, não pretendendo que seja um texto teórico, e sim um convite para um passeio por alguns conceitos e suas possíveis articulações, vistos por diferentes ângulos.

Segundo o Dicionário Houaiss (Houaiss, Villar e Franco, 2001, p. 1907), metáfora, na linguagem retórica, é a “designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança”. O prefixo met(a), indica, entre outros, “no meio de, entre, em seguida, de acordo com, durante”. Ainda segundo o mesmo dicionário, “no grego clássico formava vocábulos com ideias de 1. Comunidade ou participação, 2. Interposição ou intermediação, 3. Sucessão (no tempo ou no espaço), 4. Mudança de lugar ou de condição”

(p. 1906). O sufixo –fora, também segundo o

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Medium 9788536326313

43. SITUAÇÃO DE RUA E CONSUMO DE CRACK

Ribeiro, Marcelo Grupo A - Artmed PDF

O TRATAMENTO DO USUÁRIO DE CRACK

AVALIAÇÃO E CONDUTA EM

SITUAÇÕES ESPECÍFICAS

C A P Í T U L O

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4 3

SITUAÇÃO DE RUA E

CONSUMO DE CRACK

LAURA FRACASSO / SUELY TORRES

O acesso a moradia digna é um direito universalmente reconhecido.1 A existência de moradia torna as interações humanas possíveis e oferece abrigo, ao passo que sua ausência ou precariedade encontra-se associada a doenças e violência.2 Além disso, uma estrutura de moradia permanente, por si só,

é capaz de diminuir o consumo de substâncias psicoativas entre usuários de drogas em situação de rua,3,4 sendo ainda mais eficaz quando associada a programas formais de tratamento para dependência química.5,6

Os números da atual população em situação de rua são bastante significativos. Em uma das matérias do Fórum de Entidades

Nacionais de Direitos Humanos (FENDH), constava que até 1,8 milhão de pessoas vive nas ruas no Brasil, de acordo com um levantamento do Ministério do Desenvolvimento

Social feito em 76 municípios. O estudo mostra que de 0,6 a 1% da população brasileira vive de modo provisório ou permanente nas ruas.7

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Medium 9788541202749

CAPÍTULO 11 - Violência: família e intervenção

SEIXAS, Maria Rita D'Angelo; DIAS, Maria Luiza (orgs.) Grupo Gen PDF

CAPÍTULO

11

Violência: família e intervenção

Dalka Chaves de Almeida Ferrari

Todo profissional pode encontrar, no seu dia a dia de traba­ lho, famílias que vivenciam situações de violência e que buscam o apoio necessário para superar: o medo, o silêncio, a dor e o sofrimento que os afetam.

Tanto os profissionais quanto esses familiares empreendem uma solidária tentativa de romper o ciclo de violência nos la­res e na sociedade. Esse trabalho exige pesquisa, estudo, re­flexão e intervenção – a partir de ações e serviços articula­ dos de forma interdisciplinar, interinstitucional numa con­­jugação de esforços da sociedade civil e das políticas públicas.

Tanto a assistência social, a saúde, a educação, a segu­ rança e a justiça defendem que: crianças, adolescentes, mulheres e idosos em situação de violência recebam um olhar especial por estarem em situação em que alguns direitos, como proteção, desenvolvimento acompanhado, integridade física, sexual e psicológica, foram violados ou estão ameaçados. Defendem, ainda, que todo atendimen­ to deva ter, se possível, centralidade na família, procurando o restabelecimento e/ou o fortalecimento dos vínculos fami­ liares e comunitários.

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Medium 9788536302898

8. Principais técnicas

Knapp, Paulo Grupo A - Artmed PDF

Principais técnicas

PAULO KNAPP

A

terapia cognitiva (TC) efetiva envolve construir habilidades, e isso somente é conseguido pelo treinamento (Padesky e Greenberger, 1995). Tendo terapeuta e paciente concordado em uma lista de problemas e nas metas do tratamento, o objetivo da terapia cognitiva é identificar, examinar e modificar as cognições distorcidas ou disfuncionais em seus três níveis: primeiramente os pensamentos automáticos (PA), em seguida as crenças intermediárias (pressupostos subjacentes e regras) e, por fim, as crenças nucleares (esquemas). Numa combinação de intervenções verbais com técnicas de modificação do comportamento, a TC empresta alguns procedimentos originados de outras escolas terapêuticas ativas e diretivas e freqüentemente adapta métodos comportamentais para servir ao propósito da mudança cognitiva (Neenan e Dryden,

2000). Como sabemos, a mudança na cognição produz a mudança no comportamento, e viceversa. Assim, as intervenções cognitivas intentam promover alterações na cognição e, por conseguinte, no comportamento, e as técnicas comportamentais visam a alterações no comportamento que levem a mudanças na cognição.

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Medium 9788527727921

15. HTLV | Repercussões Psicológicas e Impacto na Qualidade de Vida

SANTOS, Niraldo de Oliveira; LUCIA, Mara Cristina Souza de Grupo Gen PDF

HTLV | Repercussões

Psicológicas e Impacto na

Qualidade de Vida

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Raquel Ferreira dos Santos

Cláudio Garcia Capitão

Augusto César Penalva de Oliveira

Algumas notas preliminares

Como afirmam Capitão et al. (2005), a saúde tem sido considerada um estado multidimensional que envolve três domínios – saúde física, psicológica e social – e não deve ser considerada como a completa ausência de doenças. Sob essa perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre os impactos sofridos pelos portadores do vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV-1) e paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM/TSP), na interface desses três domínios, na tentativa de compreender o adoecimento e as maneiras pelas quais os referidos pacientes podem se manter saudáveis por mais tempo, especialmente no que se pode implementar na sua qualidade de vida.

Sabe-se que a psicologia no contexto da saúde tem como campo de pesquisa e intervenção a interface das três dimensões já mencionadas, constituindo-se uma maneira científica de compreender o adoecimento e as maneiras pelas quais a pessoa pode se manter saudável. Um campo interdisciplinar que tem por finalidade realizar estudos correlacionados à promoção, prevenção e tratamento do indivíduo e da população para melhoria da qualidade de vida (Remor, 1999).

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Medium 9788536307558

2. O reflexo aprendido: Condicionamento Pavloviano

Moreira, Márcio Borges Grupo A - Artmed PDF

Moreira & Medeiros

CAPÍTULO

29

2

O reflexo aprendido:

Condicionamento

Pavloviano

Você começa a suar e a tremer ao ouvir o barulho feito pelos aparelhos utilizados pelo dentista? Seu coração dispara ao ver um cão? Você sente náuseas ao sentir o cheiro de determinadas comidas? Você tem algum tipo de fobia? Muitas pessoas responderiam “sim” a essas perguntas. Mas, para todas essas pessoas, até um determinado momento de sua vida, responderiam “não” a essas perguntas; portanto, estamos falando sobre aprendizagem e sobre um tipo de aprendizagem chamado Condicionamento Pavloviano.

No capítulo anterior, sobre os reflexos inatos, vimos que eles são comportamentos característicos das espécies, desenvolvidos ao longo de sua história filogenética➊. O surgimento desses reflexos no repertório comportamental das espécies preparam-nas para um primeiro contato com o ambiente, aumentando as chances de sobrevivência. Uma outra característica das espécies animais também desenvolvida ao longo de sua história filogenética, de grande valor para sua sobrevivência, é a capacidade de aprender novos reflexos, ou seja, a capacidade de reagir de formas diferentes a novos estímulos. Durante a evolução das espécies, elas “aprenderam” a responder de determinadas maneiras a estímulos específicos de seu ambiente. Por exemplo, alguns animais já “nascem sabendo” que não podem comer uma fruta de cor amarela, a qual é venenosa.

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Medium 9788536323459

8. Mania

Wright, Jesse Grupo A - Artmed PDF

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Mania

T

alvez nem precise mencionar, mas o pico de um episódio de mania – quando os pensamentos estão acelerados, a perda de sono causa fadiga, o humor está irritável, e a agitação, alta – pode não ser o melhor momento para o ensino de habilidades da

TCC. As intervenções geram maior impacto e as informações têm mais chances de serem retidas se transmitidas quando o indivíduo está muito menos sintomático. À medida que os sintomas maníacos emergem, o paciente pode evocar habilidades adquiridas previamente para ajudar a controlá­‑los. À medida que pioram os sintomas, normalmente é necessária a orientação do terapeuta para auxiliar o paciente a desacelerar, concentrar­

‑se em um sintoma de cada vez e utilizar intervenções estruturadas.

A principal ênfase da TCC na mania encontra­‑se na prevenção de recorrências por meio do reconhecimento dos sintomas

à medida que começam a se desenvolver e da rápida intervenção para diminuir ou interromper sua evolução. Para atingir essas metas, o paciente deve ser capaz de reconhecer quando a mania se aproxima e estar motivado a interromper sua evolução. A mania evolui rapidamente e pode não ser óbvia até que os sintomas comecem a comprometer o funcionamento. A essa altura, a mania pode estar grave demais para ser controlada sem mudanças vigorosas no tratamento farmacológico.

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Medium 9788536313320

31 - Síndromes de agitação e de estupore lentificação psicomotoras

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A - Artmed PDF

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Paulo Dalgalarrondo

31

Síndromes de agitação e de estupor e lentificação psicomotoras

Os dois principais tipos de síndromes psicomotoras são as síndromes de agitação psicomotora e as síndromes de estupor e lentificação psicomotora.

SÍNDROMES DE

AGITAÇÃO PSICOMOTORA

Os quadros de agitação psicomotora são muito comuns nos serviços de emergência e representam considerável dificuldade diagnóstica e terapêutica (revisões em

Tardiff, 1988; Tesar, 1993). Nessas síndromes, observam-se acentuada aceleração da esfera motora, aumento da excitabilidade e, além disso, o paciente anda de um lado para outro, gesticula, demonstrando inquietação constante. É comum estarem asNão é incomum ensociados à agitação contrar, na sala de psicomotora sintoemergência, um pamas como logorréia, ciente em franca agitação psicomotora, insônia, irritabilidatrazido por policiais de, hostilidade e ou transeuntes, sem agressividade (Quaque uma história predro 31.1). gressa possa ser coNão é incomum lhida. encontrar, na sala de

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Medium 9788536301075

22. Empatia

Nabuco de Abreu, Cristiano Grupo A - Artmed PDF

22

Empatia

Eliane Falcone

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Estudos que investigaram os efeitos sociais da empatia (Brems, Fromme e Johnson,

1992; Burleson, 1985; Davis e Oathout, 1987;

Ickes e Simpson, 1997; Long e Andrews, 1990) sugerem que as pessoas empáticas despertam nos outros afeto e simpatia, são mais populares e ajudam a desenvolver habilidades de enfrentamento, bem como reduzem problemas emocionais e psicossomáticos nos amigos e familiares. Além disso, a empatia é preditiva de ajustamento marital, contribuindo para a satisfação no relacionamento conjugal (Davis e

Oathout, 1987; Ickes e Simpson, 1997). Os indivíduos empáticos comportam-se de tal maneira que tornam as relações mais agradáveis, reduzindo o conflito e o rompimento (Davis,

1983). A habilidade de “ler” e valorizar os pensamentos e os sentimentos das outras pessoas

é o que provavelmente torna esses indivíduos mais bem-sucedidos em suas relações pessoais e profissionais (Ickes, 1997).

A empatia manifestada pelo terapeuta e os seus efeitos na mudança do cliente também têm sido objeto de uma variedade de estudos que apontam ser essa habilidade de interação necessária para a eficácia do tratamento (Barrett-Lennard, 1993; Carkhuff, 1969;

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Medium 9788521634591

Capítulo 10 Inteligência

MYERS, David G.; DEWALL, C. Nathan Grupo Gen PDF

CAPÍTULO

10

Inteligência

R

ecentemente, três enormes controvérsias despertaram debates dentro e fora da psicologia. A primeira é a “guerra da memória”, que discute se experiências traumáticas são reprimidas e podem mais tarde ser recuperadas com ajuda terapêutica.

A segunda grande controvérsia é a “guerra dos sexos”; sobre até que ponto a natureza e a cultura moldam nossos comportamentos como homens e mulheres. Neste capítulo, enfrentamos a “guerra da inteligência”: será que cada um de nós tem uma capacidade mental geral inata

(inteligência)? Podemos realmente quantificá-la?

Conselhos escolares, tribunais e cientistas debatem o uso e a precisão de testes que almejam examinar as habilidades mentais das pessoas, atribuindo-lhes uma pontuação. Seriam os testes de inteligência um meio construtivo de guiar pessoas em direção a oportunidades adequadas? Ou uma potente arma discriminatória camuflada como ciência? Primeiramente, algumas perguntas básicas:

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Medium 9788536326955

18. O ludodiagnóstico no contexto jurídico

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A - Artmed PDF

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O ludodiagnóstico no contexto jurídico

Claudia Anaf

Dagmar Menichetti

Roberto Evangelista

F

requentemente, a Psicologia tem sido cha­mada pelo Poder Judiciário, pelo Ministério Público, pelos centros de perícias médico­‑forenses e pelas instituições jurídicas em geral para aclarar os dramas da vida humana e dirimir controvérsias que se assinalam no campo psicoforense, a fim de elaborar diagnósticos, instruir os autos do inquérito policial e oferecer subsídios especializados às autoridades requisitantes dos ministérios públicos e tribunais de Justiça

(Evangelista, 2000; Evangelista e Menezes,

1999). Neste particular, evidencia­‑se cada vez mais uma contribuição do psicólogo para o sistema de justiça e uma intersecção possível entre as duas ciências – Psicologia e

Direito – respectivamente entre o mundo do ser (mundo psicológico, identidade, subjetividade, psíquico, etc.) e o mundo do dever ser (mundo das normas, leis, regras, etc.).

Em particular, na área da infância e juventude, cada vez mais são reconhecidos o saber psicológico e a relevância da avaliação psicológica para a confecção de pareceres técnicos. No Ministério Público, esta atuação se verifica no decorrer da instrução criminal visando obter subsídios para o processo crime requerido pelo promotor de justiça. Nos tribunais de Justiça, os psicólogos realizam perícias e pareceres psicológicos

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Medium 9788536327891

8. Tratamento combinado para transtornos alimentares

Sudak, Donna M. Grupo A - Artmed PDF

Combinando terapia cognitivo-comportamental e medicamentos 145

ras, mas, quando surgem preocupações médicas, elas podem oferecer risco à vida e requerer ação coordenada e rápida.

Embora os transtornos alimentares possam ser conceitualizados de um modo transdiagnóstico (Fairburn, 2008), este capítulo separa as entidades diagnósticas porque a pesquisa sobre o tratamento é dividido por transtorno. Como os dados sobre a compulsão alimentar periódica são limitados, o capítulo foca exclusivamente a anorexia e a bulimia nervosa.

EVIDÊNCIAS PARA O USO DO TRATAMENTO

COMBINADO COM TCC E MEDICAÇÃO

Evidências para o uso do tratamento combinado na anorexia nervosa

Os dados relacionados ao uso de medicamentos psicotrópicos na anorexia são raros. Uma razão de termos tão pouca informação sobre o assunto está no desafio de estudar a anorexia. É uma condição relativamente rara, afetando apenas 0,5% das mulheres nos Estados Unidos (Hsu, 1996). Os pacientes com anorexia são em geral adolescentes jovens, de forma que há com frequência uma preocupação ética sobre a sua capacidade de aceitar a participação em projetos de pesquisa. Os medicamentos podem ter efeitos inesperados em pacientes mais jovens ou em pacientes que se privam de alimento, em comparação a adultos com um peso corporal normal. Pacientes mais velhos com anorexia crônica apresentam um índice muito elevado de abandono do tratamento. Em pacientes com peso extremamente baixo, a participação em pesquisas é particularmente problemática do ponto de vista ético, pois o problema oferece risco à vida. Pacientes cronicamente doentes são difíceis de estudar porque não conseguimos evitar uma forma particular de tratamento reconhecidamente eficaz para estudar outra (Halmi, 2008).

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Medium 9788536302898

32. A relação terapêutica

Knapp, Paulo Grupo A - Artmed PDF

A relação terapêutica

ELIANE FALCONE

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inha experiência como terapeuta cognitivo-comportamental, atendendo pacientes que me procuram no consultório, e como supervisora de estudantes de psicologia em clínica-escola tem contribuído para levantar questões pertinentes à adesão do paciente ao processo terapêutico.

O que leva determinados pacientes a aceitarem a lógica da terapia e a se engajarem no processo terapêutico, conseguindo melhora relativamente rápida, enquanto outros se recusam, de forma explícita ou dissimulada, a participar desse processo? Lembro-me de uma paciente com transtorno de pânico e agorafobia que vinha de uma experiência psicoterápica de sete anos, sem sucesso, e que ficou entusiasmada quando soube que iria superar o seu medo de sair sozinha por meio de um esquema gradual de enfrentamento. O trabalho com essa paciente foi bem-sucedido, e isso certamente se deveu a sua aceitação do estilo do tratamento. Por outro lado, outra paciente, com o mesmo transtorno, manteve-se na terapia sem apresentar resultados significativos e acabou desistindo do tratamento, aderindo a um procedimento medicamentoso e alegando que não conseguia aceitar a idéia de ter que enfrentar situações provocadoras de ansiedade.

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Medium 9788536315607

19. O uso de medicamentos no tratamento do TOC

Cordioli, Aristides Volpato Grupo A - Artmed PDF

Vencendo o transtorno obsessivo-compulsivo

| 211

Capítulo 19

O USO DE MEDICAMENTOS NO TRATAMENTO DO TOC

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ma das descobertas importantes em relação ao TOC foi a de que um grupo de medicamentos que aumenta os níveis de serotonina nas sinapses nervosas por meio da inibição de sua recaptação para dentro do neurônio diminui a intensidade dos sintomas OC. Esses medicamentos, junto com a terapia cognitivo-comportamental, são considerados, na atualidade, os tratamentos de primeira linha para o transtorno. No presente capítulo, vamos conhecer esse grupo de remédios: suas vantagens e desvantagens, como são usados na prática, as doses, e como lidar com os efeitos colaterais. Vamos ainda discutir as alternativas que existem e o que se pode fazer quando os medicamentos não funcionam.

Muitos medicamentos foram experimentados no tratamento do TOC. No entanto, um fato ficou evidente em inúmeras pesquisas: apenas os que tem o efeito de inibir a recaptação de serotonina

(IRSs) são efetivos em reduzir os sintomas. Com a inibição da recaptação de serotonina pelas células nervosas, seus níveis se elevam nas sinapses (espaços existentes entre uma célula e outra), favorecendo a transmissão dos impulsos nervosos. Acredita-se que esse efeito tenha relação com a redução dos sintomas OC, embora não se conheça, em profundidade, como isso acontece.

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