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PARTE II - 2. O Impacto do Conceito de Cultura sobre o Conceito de Homem

GEERTZ, Clifford Grupo Gen PDF

Capítulo 2

O Impacto do Conceito de Cultura sobre o Conceito de Homem

O Impacto do Conceito de Cultura sobre o Conceito de Homem

25

I

Já no final de seu recente estudo sobre as ideias usadas pelos povos tribais, O Pensamento Selvagem, o antropólogo francês Lévi-Strauss observa que a explicação científica não consiste, como fomos levados a imaginar, na redução do complexo ao simples. Ao contrário, ela consiste, diz ele, na substituição de uma complexidade menos inteligível por outra mais inteligível. No que concerne ao estudo do homem, pode ir-se até mais adiante, penso eu, no argumento de que a explicação consiste, muitas vezes, em substituir quadros simples por outros complexos, enquanto se luta, de alguma forma, para conservar a clareza persuasiva que acompanha os quadros simples.

Suponho que a elegância permaneça como um ideal científico geral; mas nas ciências sociais muitas vezes

é no afastamento desse ideal que ocorrem desenvolvimentos verdadeiramente criativos. O avanço científico comumente consiste numa complicação progressiva do que alguma vez pareceu um conjunto de noções lindamente simples e que agora parece uma noção insuportavelmente simplista. É após ocorrer essa espécie de desencanto que a inteligibilidade e, dessa forma, o poder explanatório, chega à possibilidade de substituir o enredado, mas incompreensível, pelo enredado, mas compreensível, ao qual Lévi-Strauss se refere.

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Medium 9788522478415

6 Organização Econômica

MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zelia Maria Neves Grupo Gen PDF

Organização Econômica

6

A organização econômica é um ramo da Antropologia que “trata do funcionamento e evolução dos sistemas econômicos das sociedades primitivas e rurais” (Godelier, In Copans, 1971:221). Refere-se ao modo como os indivíduos conseguem, utilizam e administram seus bens e recursos.

Faz parte da organização social e encontra-se em todas as sociedades, mesmo entre as mais simples. Todavia, os aspectos da produção e consumo variam muito de cultura para cultura, no tempo e no espaço.

Segundo Hoebel e Frost (1981:261), a organização econômica é tratada

“como um liame entre a base material da cultura e a estrutura social porque ela se ocupa, de um lado, com os produtos da tecnologia e, de outro, com sua distribuição diferencial através da estrutura social”.

Em princípio, procurava-se explicar as diferenças entre os sistemas econômicos pela evolução social, ou seja, através de diferentes níveis de estágios da cultura. Morgan foi o primeiro a tratar sistematicamente os dados, registrados pelos cronistas, sobre a atividade econômica das culturas primitivas. Segundo sua teoria evolucionista, a vida econômica teria passado por três estágios: a) bandos de coletores e caçadores: propriedade comum; b) aldeias fixas, com agricultura e pastoreio: propriedades familiares ou clãs; c) unidade política com tecnologia avançada: propriedades privadas ou estatais.

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Medium 9788522478415

17 Antropologia Jurídica

MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zelia Maria Neves Grupo Gen PDF

Antropologia Jurídica

17

17.1 Histórico

Três grandes escolas de antropologia legal (jurídica) foram criadas no século

XIX e ainda existem: a britânica, a holandesa e a americana, sendo a primeira a mais conhecida.

As características da britânica são:

1. Basicamente mercantil – os britânicos visavam garantir seus monopólios comerciais e conservar abertos os meios de transporte de suas mercadorias, em vez de conquistas de terras e de povos;

2. Dominação indireta – (a) construção de portos fortificados que pudessem ser controlados como centros de comércio e base naval; (b) criação de Estados-clientes, que pudessem governar cordialmente a baixo custo;

3. Utilização do Direito Consuetudinário da estrutura imperial.

Mudança no direito consuetudinário, entretanto, torna-se muito difícil, pois trata-se da cultura legal de um povo. O que poderia ser imoral para um povo, pode ser legal para outro. Exemplo: o “sati” – costume de cremar a viúva, viva, na pira de seu falecido marido, comum entre hindus do norte da Índia. O

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Medium 9788522466023

Parte IV - 10 Desigualdade Social

FERREIRA, Delson Grupo Gen PDF

10

Desigualdade Social

10.1 ORIGEM E FUNDAMENTO DA DESIGUALDADE:

POBREZA E RIQUEZA

A pobreza e a riqueza existem nas sociedades as quais pressupõem que os bens oriundos da natureza e gerados pelo esforço do trabalho não são suficientes para satisfazer às necessidades vitais e sociais de todos os seus membros. A pobreza é, portanto, um conceito complexo: cruel para os que a têm vivenciado ao longo da história humana e relativa para os que a têm visto com parâmetros meramente econômicos ou politicas.

Indicador fundamental da desigualdade social, origina-se na distribuição desigual dos frutos da natureza e do trabalho e fundamenta-se na compreensão de que esse fato seja normal ou natural. Visto dessa forma, o problema da pobreza adquire dimensões históricas de longa duração: as sociedades da Antigilidade e da

Idade Média não a consideravam um problema social, vendo-a apenas como o resultado de uma condição naturalmente imposta pelo nascimento nas camadas da base da pirâmide social. As reflexões sobre as origens e os fundamentos da desigualdade surgiram no bojo do nascimento do mundo moderno e foram postas em pauta pelos primeiros pensadores burgueses, que buscaram compreender, explicar e justificar a continuidade de sua existência sob novas formas, fato que perdura até os dias atuais.

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Medium 9788536317113

29. A qualidade na pesquisa qualitativa: além dos critérios

Uwe Flick Grupo A PDF

356

Uwe Flick

29

A qualidade na pesquisa qualitativa: além dos critérios

Indicação da pesquisa qualitativa, 357

Triangulação, 361

Indução analítica, 362

A generalização na pesquisa qualitativa, 362

O método comparativo constante, 363

Avaliação do processo e controle da qualidade, 365

OBJETIVOS DO CAPÍTULO

Após a leitura deste capítulo, você deverá ser capaz de:

compreender as formas de tratar da questão da qualidade na pesquisa qualitativa utilizando-se não somente da noção de critérios. identificar o potencial e o problema para solucionar a questão da indicação de métodos. reconhecer as estratégias de triangulação e de indução analítica e suas contribuições para a solução da questão da qualidade. distinguir os problemas e as formas de generalização na pesquisa qualitativa. entender o potencial da avaliação do processo e do controle de qualidade na pesquisa.

Alguns dos temas que serão discutidos neste capítulo que dizem respeito a intensificar e a assegurar a qualidade da pesquisa qualitativa ultrapassam a noção dos critérios de qualidade (ver Capítulo 28). A ideia por trás deste capítulo é a de que a qualidade na pesquisa qualitativa não possa ficar reduzida à formulação de critérios e de padrões de referência para definir a boa e a má aplicação dos métodos. Em vez disso, a questão da qualidade na pesquisa qualitativa situa-se no nível do planejamen-

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